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The Middle Way

Blog humanitário e reivindicativo da liberdade e felicidade de todos, até do próprio planeta.

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06
Mar18

A viagem - uma história. O Fim

JR

Setembro de 2012

 

Desta vez, atravessei Portugal na horizontal. A estrada tornou-se mais acidentada, com curvas apertadas, serpenteando ao longo de montanhas. Deixo para trás o Parque Natural de Montesinho. Chego, sem grande dificuldade, a Chaves. Começo a não gostar de domingos. As cidades tornam-se melancólicas de tão vazias que estão. As ruas desertas de lojas fechadas. Passo por casais solitários e calados, de mãos dadas, que passeiam pela Rua Direita, por baixo de varandas de madeira. Sento-me a olhar o Tâmega que passeia calmo, também ele domingueiro. O tempo passou rápido: nove dias supersónicos num país que me enche a alma. Como uma sandes num café e vejo o telejornal. O povo português, pacífico por natureza, começa a exaltar-se. Os ânimos aquecem num descontentamento que é geral.

 

Atravesso o fabuloso Gerês. As montanhas são gigantescas, imponentes! A estrada ziguezagueia lá no alto, vertiginosamente, em vistas fenomenais. Deixo barragens para trás, vejo burros pelo caminho. Olho o mapa, já rasgado do uso, e seguro o volante. Sinto-me cada vez mais confortável a conduzir. Desenvencilho-me em Braga, depois de me ter perdido por breves instantes, e entro novamente na estrada nacional. 

Estou no Minho! Tudo à minha volta é verde! Vejo videiras de uvas escuras, maduras. Festas em várias vilas, honrando vários santos.

Entro em Ponte da Barca. A praça central tem um café com muita gente. Atravesso a praia fluvial e arrependo-me de não ter trazido o bikini vestido. Lá ao fundo, vejo a ponte em contraluz. Perco-me nas ruas e encontro um caminho de terra batida atrás da igreja e aproveito para petiscar umas amoras silvestres que pendem de muros velhos.

 

Em Ponte de Lima festejam-se as colheitas. A margem do rio está cheia de vendedores, de carrinhos de choque e de quiosques de farturas. Acendem-se as luzes. As pessoas estão felizes. Eu estou feliz.

Tenho, pela primeira vez, companhia no quarto da Pousada. Hoje, aqui, estou apenas eu e um grupo de franceses. Trocamos poucas palavras em inglês, língua comum, e sorrimos. Dentro de poucos dias regresso à companhia dos meus colegas, à agitação normal do dia-a-dia. Regresso a casa. 

E onde é casa?

 

***

 

Comprei o jornal em Valença. Conclusão? O mundo está um caos! Existe uma diferença abismal entre ler uma notícia solta, aqui e ali, e ler um jornal de fio a pavio. É a austeridade e a violência doméstica. É a violência na Síria, que se mantém sem previsões de fim para breve. É o Japão e a China que lutam pela posse de ilhas onde poderá haver petróleo. São manifestações contra o vídeo que ridicularizou Maomé, com ameaças de morte a americanos. 

Morte. Em segundos, mata-se uma pessoa. Em dias, milhares morrem. Não é a morte, em si, que me assusta. É o ódio e o medo no olhar. A desvalorização da vida. A intolerância. O poder. A patetice dos egos. Tudo isto me ultrapassa. As guerras continuam, a história repete-se. Não houve evolução de espírito, houve aumento de cobardia. E vivemos nós na modernidade...

Perdida na fortaleza antiga de Valença, a minha viagem foi interior. Para quê imaginar antigas batalhas, quando elas nos desfilam, diariamente, à frente dos olhos? Para onde caminhamos? Qual o nosso papel?

 

Em Vila Nova de Cerveira um rio separa-me de Espanha. Uma angústia mancha-me a alma. Imagino-me um pontinho minúsculo no mapa de Portugal (invisível no mapa do mundo!) e a percepção da minha pequenez esmaga-me. Na Pousada da Juventude cruzo-me com um casal jovem que está a fazer o check in. Nesta altura do ano, somos poucos em viagem por estas bandas. As aulas começaram, o dinheiro não chega. Estico as costas, já doridas da viagem, e espero que os minutos passem a seu ritmo. Não tenho pressa.

Ao final da tarde, decido sair. O centro da vila alcança-se num instante. A praça está, moderadamente, cheia. Pacatos senhores, sentados em frente à Igreja, trocam impressões. As ruas estão repletas de pequenos farrapos coloridos que anunciam que, também aqui, houve festa. Compro uns enlatados numa mercearia que levo para jantar. Já na pousada, o tal casal senta-se na sala de convívio e vemos juntos, sem ver, um programa qualquer na televisão.

 

Por muito que viajemos sozinhos, por muito isolados que estejamos, nunca estamos sós. Cada cidade pode ser nossa, cada pessoa pode ser família. Pela estrada fora, tenho encontrado um povo português abatido, mas sempre afável. Por mais pequeno que seja o nosso ponto no mapa, temos um mundo que nos rodeia e que merece o nosso esforço. Cada um de nós importa. A nossa mais pequena acção repercute-se na vida de alguém. As acções somam-se. Que venham todos os jornais! A informação é a arma de qualquer luta pacífica.

 

***

 

Estou no último dia da viagem e segui caminho até à maravilhosa Foz do Minho. Soube-me bem voltar a pisar areia da praia. Pela primeira vez, pisei águas fluviais e marítimas em simultâneo! Senti, de imediato, o cheiro a maresia. Inspirei fundo, abrir os braços e sorri para Espanha. As ondas aterram pacificamente na areia e, lá longe, ouve-se o rugido ininterrupto do oceano. Sinto-me, literalmente, entre a tempestade e a bonança, como se estivesse no limbo que separa o passado do futuro. Demorei-me longos minutos a saborear esta antítese de tempo e de estado de alma.

Mais tarde, acabei por parar na praia de Afife. Apesar do sol, sopra um vento gelado. Enchi-me de coragem, corri até à água e mergulhei.  Senti-me congelar de forma progressiva, cada osso do meu corpo a protestar. A praia estava deserta. Deitei-me ao sol frouxo, tentando secar o máximo possível e adormeci na imensidão das horas que ainda tinha até ao anoitecer.

 

A meio da tarde, estaciono em Viana do Castelo. Mais uma cidade feita de reboliço. Fiz o resto do caminho até Penafiel sem parar. Cheguei ao anoitecer. Jantei numa tasca com um amigo da faculdade e conversamos até tarde.

 

 

***

 

Chegar a Faro é aconchegante. Não consigo descrever a paz que sinto. É incrível como, em pouco tempo, moldamos uma cidade à nossa medida.

 

 

Lembro-me perfeitamente do primeiro momento que pisei Faro. Consigo, ainda, sentir a estranheza do local, a entrada fria pela zona industrial, o Fórum iluminado com as luzes do Natal, o cansaço da passagem de ano recente e a alegria, sim, a imensa alegria de estar ali, no abismo do desconhecido. Tinha uma cidade inteira por descobrir, um Algarve de costa longa e, principalmente, tempo nas minhas mãos para aproveitar cada passo. Faro, nos longos dias quentes de Verão, tornou-se o nosso recanto. Voltei a dar valor aos pequenos prazeres da vida: um livro numa esplanada com vista sobre o mar ou sobre a ria, gargalhadas fáceis numa mesa rodeada de amigos, derramando o olhar sobre o horizonte largo e longo.

 

Serviço após serviço, estágio após estágio, conheci gente diferente e aprendi com todos eles. Aprendi com os meus colegas, meros internos como eu, na base da cadeia alimentar hospitalar. Colegas que se tornaram amigos. Aprendemos como sobreviver à insegurança que a falta de experiência nos dá e a arranjar forma de ganhar essa experiência e de a partilharmos. Aprendi que, num simples balcão dos verdes, por vezes caótico, conseguimos organizar a nossa pequena equipa e conseguimos ser bons, verdadeiramente bons. Ficamos contentes com os pequenos grandes diagnósticos que fazemos, com o nosso raciocínio cada vez mais perspicaz. Aprendi, sobretudo, com os doentes.

 

***

 

A dona Miquelina, uma senhora de 89 anos,  deu entrada no nosso internamento, enviada do Serviço de Urgência. Era uma senhora pequena, magra, de cabelo curto acizentado, de conversa escassa e olhar triste. Vinha com queixas vagas de dor abdominal e um diagnóstico inicial de gastroenterite e desidratação. Trazia, contudo, uma TC abdominal onde se via um volumoso conglomerado adenopático junto à aorta. Ficou connosco para estudo de caso clínico.  Cabia-me, a mim, avaliar a sua evolução clínica todas as manhãs, pelo que acabamos por manter um contacto próximo. Alegrava-me nos dias em que não sentia dor, ou quando o seu apetite aumentava. Fez inúmeros exames. Melhorou e piorou, ciclicamente.

Tinha um linfoma. Pequenas outras adenopatias foram descobertas, mais tarde, à volta dos brônquios e da traqueia. Foi piorando, lentamente. Tinha muitas visitas de familiares, principalmente da sua neta, que lhe tinha uma dedicação enternecedora, já rara nos dias de hoje. A doença estava disseminada e tentavamos dar-lhe conforto, apesar das infecções respiratórias sucessivas que acabou por ir sofrendo.

 

Naquela manhã, durante a visita à enfermaria, percebi-lhe uma maior dificuldade respiratória que se agravou de forma galopante. Poucas palavras me conseguiu dirigir, mas hei-de sempre recordar o olhar assustado, dirigido ao tecto do quarto, como quem procura o céu. O vaivém da enfermeira, aumentando o oxigénio e a dose de morfina. O telefonema para a família, as lágrimas escondidas do chefe da equipa. Eu que lhe dava a mão e engolia as lágrimas que não queria soltar. O medo nos olhos e a respiração ofegante. A neta a chegar e o conforto do abraço, o aconchego de ter um pouco do lar num quarto impessoal do hospital. O medo que vai passando nesse abraço, cada vez mais apertado de despedida. As cortinas que fecham, as lágrimas que não contenho. O abraço que dou à neta. O óbito certificado. A mão que dou à dona Miquelina que encontrou o céu. A certeza que também somos impotentes e que a vida acaba. A família. Os médicos. Os doentes. A dona Miquelina que me ensinou a ser forte.

 

 

 

Larguei as malas no meu quarto fechado e escuro e deitei-me no sofá da sala. No meu sofá. Na minha sala.

Esta viagem acaba.

Outra começa.

 

 

FIM

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05
Jan18

A viagem - uma história #4

JR

Setembro de 2012

 

IV

 

Elvas ficou para trás. Sigo em direcção a Portalegre e à Serra de São Mamede por estradas nacionais. Temos de admitir, a grande maioria das estradas do nosso país estão em bom estado, permitindo que o carro deslize sem grandes solavancos. Decidi cortar à direita quando vi uma placa que dizia: Cidade romana de Ammaia. Esta é uma das principais vantagens de fazer uma viagem sozinha: a imprevisibilidade do impulso, a satisfação completa de apetites. 

Para visitar Ammaia, temos de pagar a modesta quantida de dois euros. Temos acesso a um museu e às escavações, que ainda estão em curso. De um modo geral, não sou uma pessoa de museus. Para visitar um museu, e para o aproveitar realmente, é preciso tempo. A mim, custa-me perder tempo dentro de quatro paredes. Mas hoje, lá fui eu. E foi uma agradável surpresa! O museu em si é pequeno e sucinto. O resto é ao ar livre, onde podemos pisar terra seca e ver gafanhotos saltar à nossa frente, a cada passo que damos. Dei por mim a imaginar a cidade na sua versão original,  com gigantescas colunas erguidas em amplas praças. Como é que se perdeu a beleza das antigas cidades romanas ao longo dos séculos? Como deixamos tal acontecer?

 

Marvão olha-nos lá do topo. É um lugar extremamente bonito, com vistas panorâmicas sobre a serra, simplesmente, deslumbrantes. Hoje, felizmente, estava praticamente vazia, com poucos turistas. Sentei-me numa esplanada e pedi a sopa do dia. A verdade é que me tenho tratado bem durante esta viagem. Mas, olhando para o menu, e fazendo contas ao dinheiro e à fome, achei que não era altura para experimentar mais um prato típico alentejano. Estamos em crise e a gasolina está cara. Para além disso, o meu organismo já se tem vindo a queixar da quantidade de calorias que tenho ingerido. Sim, a sopa era a escolha mais acertada.

 

E assim desci, curva apertada após curva apertada, até Castelo de Vide. Cheguei cedo, por volta das três da tarde. Carreguei a grande mochila, companheira de viagens, pelas escadas e cheguei ao meu modesto quarto no primeiro andar. O plano inicial era o de tomar um banho e aproveitar ainda o resto da tarde para dar uma volta e, talvez, jantar fora. Mas hoje, queria tudo menos seguir planos. Mergulhei na piscina fresca e dormitei ao sol, que nem lagarto. Sentei-me, pouco depois, na varanda e acabei o meu livro pousando-o, ocasionalmente, para ouvir o chilrear imenso dos pássaros no final da tarde. Senti uma paz imensa. E uma solidão vincada. Com o passar do tempo, a solidão a que me obriguei faz-se notar, cada vez mais nítida. Não me cruzei com mais nenhum viajante solitário. Nos hotéis, olham para mim com alguma estranheza e curiosidade, que já pouco me incomoda. No início, sentia algum constrangimento. Agora, olho-os nos olhos e digo "sim, é uma mesa só para mim, por favor". Uma mesa de quatro com apenas uma refeição servida. E eu como, calmamente.

 

Regresso à minha varanda. Hoje, pouco mais vi de Castelo de Vide do que as palmeiras do hotel. Dou por mim a concordar com o livro que acabei de ler. Uma pessoa permanentemente feliz deixa de se aperceber da felicidade. Tal como as viagens: são mágicas pela sua finitude. A plenitude da felicidade é percebida após a plenitude da tristeza. Sou a favor de emoções fortes, de sentimentos arrebatadores. Nos últimos meses, tenho vivido e tenho sentido, mas falta-me profundidade. Falta loucura! Onde estão os sentimentos gritantes? Onde está o ruído e a revolta? Onde está a paixão? Onde está o abraço? Aquele abraço que fica, que não foge e que não vai a lado nenhum?

 

 

Tenho saudades tuas. Já as tive antes, é verdade. Mas hoje, insisto, tenho saudades tuas.

 

Depois de tudo, vivemos juntos. Não como alguma vez possa ter imaginado ou desejado. Mas a convivência do dia-a-dia fez crescer, entre nós, uma amizade que achei impossível. Sinto-me bem ao teu lado. Sinto-me, sobretudo, eu. Conheces-me de forma genuída, real, sem máscaras, de cara lavada e óculos, antes de me deitar. Conheço a tua voz rouca da manhã, de olhos mal abertos, quando te sentas para fazer as tuas torradas. Conheço os teus livros desarrumados na sala, o dicionário estragado, o lápis minúsculo e roído na ponta. Sei que lês na varanda e que paras, de tempos a tempos, e ficas absorto nas tuas meditações, com os teus olhos de pestanas grandes perdidos no horizonte curto do prédio da frente. Rimo-nos, rimo-nos muito. Orgulhamo-nos das nossas plantas que vão crescendo, ficamos tristes quando murcham. Somos criativos e artistas. Somos cozinheiros cada vez mais talentosos. Partilhamos os nossos doentes e peripécias da vida.

 

Mas, deixa-me hoje, só hoje, ter saudades tuas. Saudades do nervoso miudinho, da mão a tremer, da antecipação do beijo, que já só recordo em esboço. Da vontade de te conhecer mais e mais, de me dar a conhecer. Da vontade do teu abraço, apenas do teu abraço. Do presente que nunca existiu, que nunca deixaste existir. Da dúvida e da espera interminável. De que me vejas, não apenas que me olhes. Nunca me viste, realmente...corrijo, nunca me quiseste ver. E estive sempre aqui. Estou aqui.

 

 

Suspiro. Olho as memórias espalhadas na mesa. Não sei se as guardo ou se as deito fora. Estou longe e, deliberadamente, só. Na varanda, os pássaros calaram-se e a noite está quente.

Deito-as fora.

 

 

 

to be continued...

 

 

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01
Jul17

Dia Mundial das Bibliotecas

JR

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Sim, é verdade. Agora descubro estas coisas.

 

Confesso, adoro livros. Adoro as palavras. Fascina-me a forma como, se tivermos cuidado e atenção, conseguimos descrever, quase ao pormenor, sentimentos e sensações. Tantas e tantas vezes, ao ler, descubro relatos fiéis de coisas que senti mas que nunca tinha conseguido transformar em frase. Reconforta-me. A literatura é bonita e torna a vida bonita. Preenche a vida de vida. De muitas vidas. Dá-nos vida e, ao mesmo tempo, abstrai-nos dela.

 

Nos últimos anos os livros têm-se demorado mais na estante. Mais do que queria. E tenho pena. Por isso, ultimamente, tenho feito um esforço por ler mais, por ler como antes, ao ritmo de antes. Às vezes, para cuidarmos daquilo que gostamos, é preciso dedicação (e menos horas de sono...).

 

Regressando às bibliotecas...lembro-me de, em pequena, trazer livros da biblioteca. Daqueles com o papelinho branco e um código identificador. Assim que os entregava, trazia logo outro. E outro e depois outro. Mas, o que eu gostava mesmo era de descobrir os livros da nossa biblioteca familiar. Sentar-me em frente à estante (ou empoleirar-me nela para chegar às prateleiras do topo) e perder tempo a escolher uma história.

 

Por muito que estudar cansasse e desejasse ardentemente pelas férias, tive sempre um gosto miudinho pelas épocas de exame, em que saía de casa rumo a uma biblioteca. 

 

Em criança, quando projectava a minha casa futura, não pensava no números de quartos, closets ou piscinas. Dizia sempre: "a minha casa vai ter uma biblioteca".

Não tem, ainda. Mas o sonho permanece. O sonho de uma casa de campo, ponto de encontro da família, dos filhos crescidos e, depois, dos netos. Uma porta entreaberta, ao fundo de um corredor: a biblioteca. Estantes de livros carinhosamente guardados ao longo dos anos, por mim e pelo pai, onde as crianças escolhem as mesmas histórias que nos fizeram rir. Ou chorar. E avistar, pela noite dentro, uma luzinha acesa no quarto dos miúdos por não conseguirem parar de ler - "só mais um capítulo, só mais um!". E sorrir, fechar os olhos e deixá-los ler a noite toda.

 

Essa biblioteca existe dentro de mim. E é, mais ou menos, assim.

 

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Alguém com uma biblioteca em casa?

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