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The Middle Way

Blog humanitário e reivindicativo da liberdade e felicidade de todos, até do próprio planeta.

Blog humanitário e reivindicativo da liberdade e felicidade de todos, até do próprio planeta.

26
Ago16

Quando a vida tem outros planos

JR

Desde sempre gostei de escrever, mais para mim mesma do que para os outros. Escrever sempre foi uma forma de organizar pensamentos e sentimentos. Quando vim para casa de baixa pela gravidez de risco resolvi criar este blog. Nunca ambicionei ter um blog e, na verdade, nunca segui blogs. Mas sobrava-me tempo. Abrandei o ritmo e a vontade, tanto de ler como de escrever, surgiu com naturalidade.

 

E agora sou mãe. Como todas as grávidas, presumo, esperei ansiosamente pelo dia de ter a minha bebé nos braços, de olhar para ela com atenção, perceber cada traço dela, descobrir os trejeitos, as manhas, os gostos...idealizamos um futuro, rabiscamos um plano de vida. Um plano A, talvez um plano B.

 

Mas então somos forçados a procurar um plano Z.

E tudo acontece de um momento para o outro, pois é assim mesmo que as coisas acontecem. A minha filha foi diagnosticada com Fibrose Quística, uma doença genética que afecta múltiplos orgãos, principalmente o sistema respiratório, e que os vai danificando ao longo dos anos. Sou médica e, durante o curso, aprendemos a não gostar desta doença, atribuimos-lhe uma conotação bastante negativa. Por isso, naquele dia, repeti inúmeras vezes na minha cabeça "fibrose quística não, fibrose quística não, por favor, fibrose quística não...". Mas estes mantras não funcionam quando os dados já estão lançados. E é então que sentimos uma dor tão grande, tão lancinante, tão insuportável. Nunca estamos preparados para que os nossos filhos tenham doenças. Pensamos que é possível isso acontecer, claro, mas estamos seguros que connosco, não, não vai acontecer. Só acontece aos outros.

 

E foi então que olhei para a minha bebé a dormir no seu berço, em paz, e soube que, mesmo sendo médica, mãe e médica, não podia fazer absolutamente nada. Não te posso operar à fibrose quística, meu amor, não há nada aí que eu possa suturar. E sentimos que tudo aquilo que aprendemos foi em vão porque, no momento que mais queremos, não conseguimos dar resposta.

 

O passo seguinte foi voltar aos livros. Estudar a doença, conhecê-la, procurar tratamentos recentes, ganhar alguma esperança em novos artigos e ensaios clínicos. Quase que queremos ter o nosso momento Eureka e sermos nós mesmos a descobrir a cura. Na verdade, o avanço médico na Fibrose Quística foi estonteante. A esperança média de vida tem aumentado de ano para ano. A qualidade de vida tem melhorado bastante. Os artigos publicados são promissores, a terapia genética parece estar logo ali, próxima, possível. Mas basta pousar os artigos para deixar de ser médica e passar a ser mãe. Quer, então, dizer que actualmente posso esperar que a minha filha viva 30-40 anos. E que, ao longo desses anos, vai gradualmente respirando pior. Como encontrar conforto neste aumento de esperança média de vida? São os pulmões da minha filha!! É a respiração dela! E eu gosto TANTO dela!

E é então que surge a revolta.

 

Mas os dias passam e é assim mesmo. Aprendemos a cuidar dela e o plano Z aparece mesmo. Vamos aceitando e incorporando os tratamentos na rotina. E o mesmo se vai passar com os tratamento que vão ser necessários no futuro. E todos os dias ela sorri. Há dias que penso como médica, dias que penso como mãe, dias em que misturo todos esses pensamentos. Consigo ver à minha frente todas as possíveis complicações. Como lhe vou contar e explicar a doença dela? Quando lhe devo contar? Como consigo protegê-la de todas as bactérias e ao mesmo tempo deixá-la livre para viver tudo, aproveitar ao máximo todos os dias? Quantos de nós aproveitamos os nossos dias ao máximo? Quantos dias desperdicei eu até hoje?

E é então que começamos a ver a vida de modo diferente. E ela continua a sorrir todos os dias.

 

Ser mãe é isto mesmo. Cai-nos nos braços o melhor sentimento do mundo, mas também esta inquietude constante, um medo fino de que alguma coisa má possa acontecer. Como se nunca mais conseguissemos inspirar profundamente. O que é irónico, no meu caso.

A vida tem, realmente, os seus próprios planos e as coisas podem, realmente, acontecer-nos a nós. Eu tenho confiança na medicina. A Fibrose Quística terá uma cura. Até lá há, afinal, algo que eu posso fazer: posso fazer a minha filha muito feliz.

 

Não é isso que conta?

 

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13
Mai16

Nazaré

JR

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Minha. Filha. Deixa-me saborear as palavras assim, lentamente. Dar-lhes o tempo que elas merecem. Deixá-las tomar lugar na minha vida para que tenha a certeza que tudo é real. Aconteceste. Que bom que aconteceste!

Soubesse eu ser possível existir tamanho sentimento e teria vivido com mais leveza. Tudo se torna relativo e suportável.

 

Existes e és perfeita. Acredita, sempre, que és perfeita.

 

E na paz do teu sono, sonha! Sonha vidas grandes e coloridas, inventa o mundo à medida da tua alma, que é grande. Vejo-a nos teus olhos. Podes o que sonhares, não tenhas medo.

 

Queria ter braços grandes o suficiente para te segurar sempre no meu colo, te pegar e proteger do que te atormentar. Mas prometo encerrar-te no meu abraço quando o mundo te assustar e sussurrar-te os teus sonhos. Lembra-te: podes o que sonhares.

 

Muita felicidade cabe num segundo.

 

A mamã.

 

23
Mar16

A brincar, a brincar

JR

Numa das minhas deambulações cibernáuticas de hoje, dei de caras com este TED talk. Admito que o tema me interessa e me é próximo pelo simples facto de que, no início da minha carreira profissional, me senti completamente assoberbada pela ansiedade, stress, medo de falhar. De um momento para o outro todas as horas foram dedicadas ao trabalho, a melhorar... e, mesmo em casa, não me conseguia desligar mentalmente do peso da responsabilidade que tinha em mãos. Ansiedade e medo.

Com o tempo fui adquirindo as minhas próprias estratégias e tudo melhorou, apesar de ser sempre um processo contínuo. As horas de trabalho mantêm-se, a responsabilidade é a mesma ou maior, mas a tranquilidade mental é outra. O sossego dos pensamentos.

 

Recomendo:

 

 

 

 

22
Mar16

Back to basics

JR

Estava ontem sentada no sofá quando, num espaço de 5 minutos, escureceu de tal modo que deixei de ter luz para ler o livro que tinha em mãos. Rapidamente, o céu parecia estar a desmoronar-se nas nossas cabeças. Mais 5 minutos e estava tudo branquinho, coberto de bolas de granizo. Nada estranho, não estivessemos nós em Lisboa.

 

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Não sei como é que ainda nos deixamos estar nesta apatia. Não será altura de nos apercebermos que o tempo está a mudar? Que estas alterações súbitas do clima, estes fenómenos extremos, não só aqui mas em todo o mundo, nos deviam mobilizar e incentivar a mudança de hábitos? Mas parece que temos uma inclinação forte para a apatia e muitos preferem aceitar os factos como se de destino se tratasse. Porque mudar custa e parece sempre que as coisas acontecem aos outros, a outra geração, não a nós.

 

O ambiente caótico e, hoje, mais um atentado terrorista... A história a repetir-se em loop, às mãos do Homem. Tudo acontece quase à nossa frente, no nosso tempo de vida, na idade cronológica do planeta que é nosso. É nesta altura que temos oportunidade de agir. Não antes nem depois...esses tempos pertencem a outros. Nós estamos aqui agora. A Humanidade é o somatório de cada um de nós, indivíduos únicos, e a nossa acção ou inacção conta. Demo-nos mais importância.

 

Nos dias de hoje, já não é concebível que as pessoas não reciclem. Os pontos de colheita de resíduos separados estão cada vez mais acessíveis e a informação está à nossa disposição.

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Já reciclamos aqui em casa há algum tempo, mas confesso que tive sempre algumas dúvidas quanto a alguns resíduos...o que faço com os copos que se partem? (vão para o lixo indiferenciado) Com os espelhos? (o mesmo) E os frascos de perfume? (vão para o ecoponto verde) Lavo as latas todas? (não obrigatoriamente, só se quiser diminuir os odores), ...

Acabei por descobrir todas estas respostas no site da Sociedade Ponto Verde (e acabei por aprender um pouco mais ainda). Existe mesmo uma secção com curiosidades relacionadas com a separação de resíduos que achei bastante útil ( http://www.pontoverde.pt/curiosidades.php ). Por aqui, vamos passar a ser mais eficazes.

 

Será que vai fazer toda a diferença no mundo? Eu sozinha, não. Nós todos? Sim.

 

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27
Jan16

Dias para recordar

JR

    Há uns anos fiz Eramus em Praga, na República Checa. Já se passaram tantos anos (e tão rápido!) que já poucas vezes me lembro desse ano intenso. Foi um ano que passou a correr mas que, na verdade, serviu de ponto de viragem. Naquela altura e ainda jovem, na faculdade, estava pouco virada para o mundo e para os seus problemas. Acabava por me dedicar apenas ao meu espaço, às minhas inquietações, aos meus exames e dilemas...

 

...chegar a Praga, num dia chuvoso às 6 da manhã, deparar-me com aquela língua imperceptível, foi entusiasmante e assustador. Nestas condições, rapidamente formamos amizades sólidas com as pessoas que nos rodeiam. Cheguei sem família e, em poucos dias (horas?), já tinha duas: uma longe e outra perto. Tive a sorte de conviver com pessoas incríveis, que me abriram os olhos, que me fizeram entender que havia mais mundo para além de mim e que, considero, me fizeram melhor.

 

    Hoje acabei por descobrir que se celebra o Dia de Lembrar o Holocausto. A 27 de Janeiro de 1945, o campo de concentração de Auschwitz - Birkenau foi libertado pelas tropas soviéticas. Nesse campo terão sido mortos 6 milhões de judeus, 250.000 pessoas com défices de desenvolvimento motor e cognitivo, 9.000 homossexuais...e porquê? Com que leveza?

 

    Ora, estando a viver em plena Europa Central, tive oportunidade de conhecer vários países vizinhos e, em todos eles, havia referências ao Holocausto e à 2ª Guerra Mundial. Acabei por me interessar bastante pelo tema, ler vários livros, visitar vários locais. Ainda me lembro da sensação de ver a entrada para o campo de concentração de Auschwitz mesmo à minha frente. Quantas vezes a tinha já visto em filmes. Acho que acabamos por achar que todos esses factos fazem apenas parte de uma ficção, uma história inventada, mas...estar ali de pé, sentir o frio gélido do Inverno a entranhar-se nos ossos e, sem mais nem menos, aperceber-me que aconteceu. Outros olharam para aquela entrada, também com frio, com medo, com a vida desfeita na mala...

 

    E, então, acho importante recordar. Lembrarmo-nos que o rumo da vida do mundo também nos diz respeito. Também fazemos parte dele.

 

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19
Jan16

Novos caminhos

JR

Estamos sempre a tempo de mudar.

 

A rotina dos dias que passam, quase sempre iguais, monocórdicos, cheios de horas pesadas, atarefadas...mas vazias de emoções fortes e sentimentos plenos, esses dias facilmente nos fazem esquecer de nós pelo caminho. Um dia acordamos e sabemos que deixamos sonhos para trás, que a nossa identidade, aquilo que nos torna únicos no mundo, ficou algures presa ao passado. Sabemos que nos deixamos consumir pela sociedade que criamos.

 

Nesse momento, temos duas opções: ou seguimos a vida tal como ela está, ou resgatamos essa vontade de mudança. Podemos, todos os dias, mudar alguma coisa na nossa vida de forma a econtrar o equilíbrio, de contribuirmos para a harmonia do mundo em que vivemos e, ao mesmo tempo, melhorarmos enquanto pessoas. Acredito que pequenas mudanças em nós podem, a longo prazo, mudar o mundo. E o mundo bem precisa de mudança.

 

O caminho do meio (The Middle Way) foi o termo utilizado por Buddha para descrever o caminho para a libertação. Não representa mais que o equilíbrio na vida: mente e corpo. O respeito pelo planeta que habitamos (e destruímos!).

 

Este blog foi criado com dois intuitos: o primeiro - obrigar-me a escrever outra vez; o segundo - partilhar os meus pequenos passos para mudar hábitos de vida, cuidar do ambiente, das pessoas que nos rodeiam e, em última análise, de mim e da minha família.

 

 

A minha pequena filha vem a caminho e sonho que ela cresça num mundo melhor.

 

 

 

 

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