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The Middle Way

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13 de Outubro, 2017

Porque vou correr a Meia Maratona pela Fibrose Quística?

JR

Estou a pouco mais de 24 horas de correr 21,1 Km pela equipa da Associação Nacional de Fibrose Quística (ANFQ). Gosto de correr, é verdade. Mas não sou corredora assídua, vou correndo aqui e ali. Até decidir embarcar nesta aventura, eram mais as vezes que o sofá ganhava às sapatilhas e correr 5 Km eram uma tortura. Mesmo assim, mal soube que a ANFQ ia formar uma equipa, decidi em segundos. 

Como mãe de uma linda menina com Fibrose Quística, eu mesma me perguntei: porque vou eu fazer isto? Que mensagens posso eu tirar deste ímpeto?

 

É por ela. Quero fazê-lo por ela. Quero que, no futuro, ela o perceba como um exemplo. Quero que ela entenda que conseguimos fazer aquilo a que nos propomos. Que, mais do que o corpo, a mente domina. A força encontra-se, se a procurarmos. Assim que decidimos ir, ganhamos força para nos levantarmos, dia após dia, e correr, correr, correr. Que a persistência compensa, que a inércia e a dor podem ser contornadas. Que, mais do que chegar à meta, é o caminho que nos dá satisfação. O percurso que temos de percorrer para chegar lá. E, não chegando, retirarmos paz de uma tentativa sincera. Percebermos a liberdade que isso nos dá.

 

Por outro lado, preciso de provar a mim própria que tenho força. Não tanto física, mas emocional. Principalmente emocional. Quero que ela saiba que, nos dias em que a doença lhe for mais pesada, eu estou preparada para correr ao lado dela, os-quilómetros-que-forem-necessários. Quando o cansaço dela for grande, quero saber motivá-la, erguê-la. Para isso, tenho de saber motivar-me e erguer-me primeiro. É, precisamente isso, que tenho treinado nestes dois últimos meses.

 

Quero que ela sinta que, a forma como ela encara a vida, a determina. Que as coisas podem ser vistas de diversos ângulos. As coisas são assim mesmo, aleatórias e imprevisíveis. A segurança de um dia pode tornar-se instável no dia seguinte. No minuto seguinte. E há, apenas, que continuar. Ter coragem e calçar as sapatilhas.

 

Quero também, com a corrida, divulgar, alertar, dar a conhecer a doença. Existem várias doenças crónicas invisíveis. A FQ é uma delas. Protejam os vossos espirros, protejam a vossa tosse. Lavem as vossas mãos. Uma gripe banal pode ser, para alguns, sinónimo de internamentos e suporte ventilatório. Protejam o vosso cigarro, principalmente ao pé de crianças. O cigarro deve ser uma escolha individual e não partilhada. Olhem à vossa volta.

 

Quero agradecer a todos os que, com o seu conhecimento e persistência, procuram a cura de doenças aparentemente incuráveis. São, também eles, maratonistas encobertos, desconhecidos, mas que sustentam as suas ideias e as levam para a frente. Até ao fim. Por favor, não desistam.

 

No fundo, quero entender e transmitir que todos nós temos corridas a correr, umas mais curtas, outras mais longas. Umas literais, outras em sentido mais figurativo. A estrada está lá, cabe-nos a nós dar o impulso.

 

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