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The Middle Way

Blog humanitário e reivindicativo da liberdade e felicidade de todos, até do próprio planeta.

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08
Nov17

Halloween e as crianças: qual o limite?

JR

Há poucos dias atrás, deparei-me com uma fotografia colocada no Facebook por uma mãe exibindo, orgulhosa, os disfarces de Halloween dos seus três filhos - estimo as idades em 1 ano, 5 anos, 8 anos. Fiquei, completamente, incomodada. Ora bem, estas crianças estavam vestidas de qualquer coisa parecida com bonecos assassinos, com feridas faciais desenhadas e t-shirts cobertas em sangue artificial. Incluíndo o bebé. Tal foi o esmero que pareciam ter saído de um filme gore.

 

A minha primeira reacção foi a de um espanto assombroso. Como é que uma mãe, mesmo que na brincadeira, veste os filhos desta maneira? De que forma, mascarar os filhos de crianças zombie mutiladas, pode ser divertido? Como é que ver os filhos assim não causa incómodo, mas sim júbilo?

Logo de seguida, pensei nas crianças. Como é que se explica este disfarce? Como é que se banaliza a violência, a mutilação em tão tenra idade? Deveremos querer que as nossas crianças vejam os irmãos cobertos de sangue hipotético e achem giro, só porque é Halloween? E mesmo que, dentro da família tal não seja problemático, qual será a reacção dos colegas da escola mais sensíveis? Na verdade, deparei-me recentemente com um artigo que dizia que, segundo um estudo promovido pelo Child Study Center da Universidade Virgina Tech, 1 em cada 100 crianças tem medo do Halloween, resultando em desvios comportamentais que necessitam de psicoterapia durante vários anos. Se os filmes de terror, que também não são realidade, estão desaconselhados antes dos 16 anos, como é que tudo isto pode ser aceitável?

 

As origens do Halloween são já muito remotas. Há cerca de 2000 anos atrás, os Celtas celebravam, a 1 de Novembro, o Samhain, um festival que celebrava o fim do Verão e das colheitas e o início do Inverno que, na altura, correspondia a uma época escura e de doença. Eles acreditavam que, na noite de 31 de Outubro, os fantasmas dos mortos conseguiam regressar à Terra. Como tal, colocavam comida e outras oferendas à porta das suas casas, na tentativa de os manter felizes e afastados do interior das mesmas. Se, por alguma razão, algum dos vivos tivesse de sair à rua, usava uma máscara para que pudesse passar despercebido entre os fantasmas. Muito anos mais tarde, com a influência do Cristianismo, o dia passou a ser chamado de Dia de Todos os Santos, um dia para honrar os mortos. Efectivamente, nessa altura, os pobres iam, de porta em porta, pedir pão em troca de orações pelos antepassados das famílias.

 

Contudo, nos EUA é que o Halloween se tornou popular, muito pela influência dos imigrantes irlandeses que, no séc. XIX, chegaram à América. Aí, crianças e adultos, mascaram-se e vão, de porta em porta, pedir os famosos doces (ou travessuras). É, actualmente, um festival muito virado para as crianças, com o intuito de juntar a comunidade em celebração dos seus antepassados, jogos e brincadeiras. Houve, mesmo, um esforço conjunto de banir o grotesco e o assustador desta celebração.

 

Nos dias que correm, em que a violência real parece estar cada vez mais presente, é este tipo de infância e brincadeiras que queremos dar aos nossos filhos?

 

 

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