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The Middle Way

Blog humanitário e reivindicativo da liberdade e felicidade de todos, até do próprio planeta.

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28
Nov17

Bolachas, chuva e alfazema

JR

Finalmente começou a chover.

Confesso que já sentia falta destes dias que se derramam em casa, entre sofá e cama. Mantas quentinhas, gorros e meias tricotadas. Contudo, este ano, estas preguiças são mais agitadas. Só consigo descansar enquanto a bebé dorme. E, mesmo assim, geralmente aproveito esses minutos para ir adiantado qualquer coisinha.

 

A pequenina costuma comer umas bolachinhas ao lanche e, sempre que possível, tento ser eu a fazer essas bolachas. Gosto, também, de experimentar sabores menos usuais, para aumentar a variedade e lhe aprimorar o paladar. 

 

Decidi experimentar estas bolachinhas de Alfazema! Eleitas as preferidas da bebé!

 

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A receita foi inspirada aqui. Mas eu aumentei-lhe o aroma a alfazema. Tornei-as mais intensas. Portanto, se preferirem algo com um sabor mais subtil, aconselho que sigam a receita original.

Mas não deixem de experimentar estas.

Já podem encontrar alfazema a granel (se não tiverem no vosso próprio jardim...). Claro que ainda me sobrou imensa...vou ter de descobrir mais algumas formas de a utilizar!

 

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Ingredientes:

- 130g de manteiga

- 2 ovos

- 120g de açucar amarelo

- raspa de 1 limão

- 270g de farinha com fermento

- 1 + 1/2 colher de chá de alfazema pulverizada

-  2 colheres de chá de alfazema flor

 

Pré-aquecer o forno a 180ºC.

Num robot de cozinha (ou triturador ou varinha mágica) pulverizei o açucar, a raspa de limão e 1 colher e meia (1 + 1/2) de alfazema, de modo a conseguir um preparado quase em pó e obter um sabor mais acentuado.

Numa taça grande, juntei a manteiga amolecida, os ovos e o preparado em pó obtido anteriormente (raspa de limão + açucar + alfazema) e misturei bem. De seguida, adicionei 2 colheres de alfazema em flor e envolvi na massa. Posteriormente, fui acrescentando a farinha, aos poucos, batendo sempre.

Coloquei uma folha de papel vegetal num tabuleiro de ir ao forno e moldei as bolachinhas em pequenas bolas achatadas. Coloquei-as com algum espaço de intervalo entre elas.  Deixei cozer, no forno, durante 10-15 minutos. 

Done!

 

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São óptimas para um lanche aconchegante. Mas acredito que sejam eficazes no ritual do sono, uns minutos antes de dormir. 

 

Receitas interessantes com alfazema por esses lados?

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23
Nov17

9 ideias para um Natal mais sustentável

JR

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Nos últimos anos, os Natais passaram a correr. Não conseguia ir muito tempo a casa pois, nesta altura, costumava estar mais sobrecarregada de urgências. As compras de Natal eram feitas no último minuto possível e sem grande propósito. Penso que, por vezes, comprava mais alguns presentinhos para compensar, em parte, a minha ausência. Quase sempre, após a consoada ou no dia seguinte, lá tinha de rumar a Lisboa mais cedo do que aquilo que o meu coração queria partindo, ainda, com as pessoas sentadas à volta da mesa. 

 

Agora, as circunstâncias mudaram e várias coisas deixaram de fazer tanto sentido. Outras, ganharam um sentido redobrado. 

 

A família vem sempre primeiro. 

 

Este Natal, é nisso que me quero focar.

 

Reuni, neste post, alguma ideias que tenho tido para tornar este meu Natal um pouco mais sustentável.

 

1. Dar presentes significativos - isto varia muito de pessoa para pessoa. Para uns pode ser apenas um pequeno cartão ou desenho, para outros um objecto mais valioso (o conceito de valor também é subjectivo). De qualquer forma, se queremos oferecer alguma coisa, que seja algo que a pessoa valorize, utilize e disfrute. Mas, também, que seja um presente que nós próprios valorizamos e que se enquadre naquilo que acreditamos. Para isso, há que perder algum tempo a pensar naquilo que queremos oferecer e fugir, sempre que possível, das compras fúteis e precipitadas de última hora.

 

2. Prolongar o Natal e envolver as crianças no processo - que o Natal não seja apenas a noite de abrir as prendas. Este ano, tendo-me sido dada a possibilidade, quero que a bebé participe comigo e em família no processo de criar o Natal. E, para isso, queremos criar alguns rituais. Aqui em casa, quando o nosso amigo Rato Rudolfo sai da sua toca, o Natal começa a raiar lentamente.

 

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3. Usar um calendário do advento duradouro e com actividades em vez de presentes - Em vez de estar a comprar, anualmente, calendários de papel e plástico, cheios de chocolates (que como até ao fim...), decidi comprar um calendário de madeira que nos dure muitos anos. Em cada dia coloquei uma actividade familiar! Acho que vai ser muito mais divertido para a pequenina (e para nós!) e que nos vai permitir passar mais tempo juntos (ou aproveitar esse tempo melhor).

 

4. Reutilizar os enfeites que já temos ou ir buscar beleza à natureza - costumava comprar enfeites novos todos os anos. Este ano vou apenas utilizar o que já tenho. À medida que os enfeites se forem estragando, vou substituindo por coisas feitas por nós, em conjunto, privilegiando materiais sustentáveis. Também não devemos subestimar a beleza que a Natureza nos pode trazer à casa: nada melhor que um passeio para apanhar pinhas, ramos, folhas...Com crianças é muito mais divertido que uma visita rápida ao centro comercial para comprar umas bolas vermelhas cintilantes.  

 

5. Cozinhar aquilo que se gosta e que, efectivamente, se come - para quê fazer aquela comida que ninguém gosta só porque é tradição? Para quê fazer uma mesa cheia de sobremesas se, depois, metade acaba no lixo? O melhor é tentar conciliar tradição e gosto. Fazer pratos típicos que agradem a toda a gente e nas quantidades necessárias. De preferência, comprando os ingredientes a granel.

 

6. Preferir brinquedos de madeira ou de pano - que são, na verdade, bem mais bonitos e duradouros!

 

7. Oferecer experiências e actividades - concertos? viagens? estadias em hotéis? um sky diving? Há para todos os gostos!

 

8. Iniciar alguém no desperdício zero - podemos sempre oferecer um copo reutilizável ao nosso amigo fanático pela Starbucks, por exemplo.

 

9. Doar aquilo que já não nos faz falta - aquilo que nós temos no fundo de uma gaveta ou nos armários a ocupar espaço pode vir a ser um presente maravilhoso para alguém. Que tal incentivar as crianças a escolher alguns brinquedos antigos para doar a instituições?

 

Quem me ajuda? Mais ideias por esses lados?

 

 

 

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20
Nov17

Amanhã, um espectáculo a não perder!

JR

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Estamos na semana europeia da Fibrose Quística. 

É estranho celebrarmos uma doença. Mas celebrá-la significa não esquecer. Celebrar a vida e a força de quem luta todos os dias um pouco mais. Significa, também, relembrar a necessidade de melhores condições, apoio, investigação.

 

A Associação Nacional de Fibrose Quística promoveu um espectáculo solidário - Clara, a decorrer amanhã, dia 21 de Novembro, pelas 21h no Teatro Tivoli - Lisboa.

Clara representa a história de vida de todos os doentes com FQ, retratando o impacto que a doença tem nos doentes, nas famílias, nos amigos.

Serão interpretadas obras de Astor Piazzola, Giocomo Puccini, Bela Bártok, Claude Debussy, José Afonso, Bernardo Sassetti, entre outros. A batuta é do Maestro do Coro e Orquestra Médicos de Lisboa, contando ainda com a participação do grupo Operawave. O guião foi escrito por Inês Pires e será levado à cena pelo Grupo de Teatro Catarse.

 

Toda a bilheteira será revertida a favor da Associação. 

Para comprar bilhete visitem este site. Podem também adquirir o bilhete amanhã, na bilheteira!

 

 

"Um dia na vida de Clara". E que dia seria este? Que dificuldades enfrenta uma criança dividida entre o dever de tratamentos médicos e a vontade de explorar o mundo? Que desafios emocionais tem de enfrentar uma adolescente doente, presa dentro do seu próprio corpo, lutando por acompanhar os colegas da mesma idade na procura incessante pela liberdade, conhecimento e perspectiva de um futuro melhor? Clara depara-se com tais questões, desafiando-se diariamente ao combater a Fibrose Quística e encontrando, todos os dias, novas soluções para tais dilemas." In Comunidade Cultura e Arte, 9.11.17.

 

 

Amanhã, vamos ao teatro? 

 

 

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16
Nov17

Pequenas ideias para mudar o mundo #6 - my veggie stock!

JR

Mais um pequeno passo no caminho certo.

 

Ando numa de experimentar pratos novos, testar-me na cozinha, experimentar novos sabores. Passo, portanto, algum do meu tempo livre a ler receitas. É muito frequente ver na lista  de ingredientes: caldo de vegetais, caldo de carne, caldo de peixe, caldo de marisco...

 

Até há bem pouco tempo, para mim, na minha preguiça mental culinária (...isto existe?) caldo era sinónimo de pequenos cubinhos da Knorr. Acontece que, no último ano, descobri três paixões novas na minha vida. A primeira, logicamente, o meu anjinho papudo, mais conhecida por bebé H. A segunda, a sustentabilidade no geral. A terceira, a culinária! E quando falo de culinária falo, em grande parte, do Masterchef Australia. Claro que vejo, uma ou outra vez, outros programas que envolvem comida, mas há pouca gente comparável ao Matt, George e Gary.

 

O engraçado é que, em certos momentos, reparo que estas três novas paixões se fundem perfeitamente. A bebé H. motiva-me a cozinhar tudo de raiz, a querer saber de nutrientes, de alimentos, de sabores, de qualidade. A saga contínua de diminuir embalagens e reduzir o desperdício alimentar também dá a sua mãozinha e, por fim, os australianos ensinam muitas técnicas culinárias interessantes.

 

E todas estas paixões se fundem, mesclam, embrenham numa coisa tão simples, mas tão saborosa como...

 

 

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...um caldo de restos de vegetais caseiros!

 

- Como é que isto funciona?

 

Ora bem, todos nós (que cozinhamos), ao preparar vegetais, vamos deixando de parte caules, toros, folhas menos viçosas, ramas e outras extremidades de vários vegetais. Isto, para quem tem uma alimentação equilibrada, acontece todos os santos dias. Verdade?

 

Nas últimas semanas, tenho guardado todos esses legumes desajeitados e enjeitados num saco dentro do congelador. Quando o saco está cheio, retiro-o do congelador e fervo o seu conteúdo numa grande panela, durante um bom bocado até reduzir a àgua e tempero, a gosto. No final, é só coar o caldinho e, aí sim, dizer adeus definitivamente a esses legumes.

 

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O que fica é um delicioso caldo de legumes, aromático e nutritivo. Sem conservantes. Tanto posso usar de imediato como congelar para usar mais tarde. Este tipo de caldo pode ser usado de diversas formas: molhos, risottos, sopas ...

 

Desta forma, usamos os vegetais na sua totalidade. Damos-lhes valor. Rectifico, damo-nos valor. Valorizamos aquilo que comemos. Segundo a União Europeia, 88 milhões de toneladas de comida vão parar a aterros sanitários, anualmente. Este desperdício alimentar não é só um problema ético e económico, é também uma forma de esgotar os recursos limitados do nosso planeta.

E, claro, reduzimos nas embalagens de Knorr. E poupamos dinheiro...

 

Há que ser criativo, também, na alimentação! Há que comprar apenas a quantidade de alimentos que necessitamos (um dos principais benefícios da venda a granel!). Saber a origem dos alimentos e comprar alimentos provenientes de produções sustentáveis é extremamente importante. Estas produções são aquelas que respeitam os solos, que permitem o seu repouso, que apostam na variedade de produtos em vez de apostarem num cultivo excessivo em larga escala de um único alimento. Ao escolhermos um produto estamos a dar força ao seu produtor. A dizer, indirectamente, que é assim que queremos ver o mundo.

Como querem ver o mundo?

 

 

 

 

 

 

 

Nota1: escusado será dizer que o mesmo se pode fazer com restos de carne (ossos), peixe (espinhas) e marisco (conchas, cascas...)!

Nota2: tenho reutilizado o saco de plástico onde ponho os vegetais e vou reutilizá-lo até se estragar. Depois penso numa alternativa...

 

 

 

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14
Nov17

Família, sustos e um bolo de toranja.

JR

Estes últimos dias foram uma montanha-russa de sentimentos.

O fim-de-semana foi perfeito. Conseguimos juntar a família toda à volta de uma mesa incrível, com pratos deliciosos. Nos dias de hoje, é difícil reunir as pessoas de quem gostamos. A vida é apressada, as viagens de carro são dolorosas e sonolentas, os horários são incompatíveis e as pessoas estão dispersas.

E assim, num fim-de-semana frio mas solarengo, lá nos juntamos. A bebé brincou com os primos, feliz. Disse, pela primeira vez, avô (para alegria dos sortudos contemplados). Correu e dançou.

 

E foi no rescaldo de tanta alegria, que a segunda-feira chegou com outros propósitos. A pequenina terminou o dia com febre alta. Mantivemos a calma, esperamos para ver a evolução. Não conseguimos perceber bem qual o foco da febre. Foi nesse momento que eu percebi que o fantasma da Fibrose Quística está sempre aqui. Auscultei mais que uma vez, por vezes achava ouvir qualquer coisinha anormal, outras parecia-me tudo limpo. Mas a febre manteve-se até hoje. Travei uma pequena luta interior: levá-la ao hospital significava fazer uma mão cheia de exames invasivos, mas esperar podia significar o arrastar de uma infecção respiratória que podia deixar sequelas. Lá fomos, relutantemente.

Após um longo e penoso dia no hospital, regressamos a casa exaustos. Principalmente a nossa pequenina que, heroicamente, suportou tudo. Felizmente, estamos mais tranquilos. Parece ser apenas uma das viroses habituais nesta altura do ano e que, portanto, há-de passar natural e progressivamente.

É incrível o medo que habita em nós, disfarçado e latente, mas que explode ao mais pequeno estímulo. É algo que se entranha em nós, a par com o amor crescente, no momento em que nos tornamos mães.

 

 

Agora que a calma se instala sento-me, enfim, ao computador.

Aproveito para partilhar um bolo de toranja que experimentei recentemente. É um fruto que raramente compro. Mas, na tentativa de utilizar mais produtos da época e havendo tantas toranjas disponíveis por aí, decidi trazer para casa. Mais uma boa forma de introduzir um extra de vitamina C na dieta.

A receita foi adaptada daqui.

 

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Bolo de toranja e sementes de papoila

 

Ingredientes:

- 200g de farinha

- 2 colheres de chá de fermento

- pitada de sal

- 250g de iogurte grego natural

- 2 colheres de chá de raspa de toranja

- 230g de açúcar

- 3 ovos

- 1/2 colher de chá de essência de baunilha

- 200g de azeite 

- 1 colher de sopa de sementes de papoila

 

Para a cobertura:

- sumo de 2 toranjas

- 1 colher de sopa de açúcar

 

Para decorar:

- rodelas finas de toranja

- rodelas de laranja desidratada

 

Pré-aquecer o forno a 180ºC. Untar uma forma de bolo inglês.

Misturar a farinha, o fermento e o sal numa taça grande. Numa taça média, juntar o iogurte, o açúcar, os ovos, a raspa de toranja e a essência de baunilha e misturar bem. Aos poucos, juntar os ingredientes secos à massa já formada. Incorporar, depois, o azeite e bater até criar uma mistura homogénea. Por fim, adicionar as sementes de papoila, mexendo até ficarem distribuídas por todo o preparado.

Verter a massa na forma escolhida e decorar com as rodelas de toranja (as minhas rodelas foram parcialmente engolidas pelo próprio bolo!). Deixar cozer durante cerca de 50 minutos, ou até passar no teste do palito.

Depois de cozido na perfeição, remover e deixar arrefecer antes de desenformar. Neste momento, preparar a calda juntando, numa panela pequena, o sumo de toranja e a colher de açúcar. Deixar levantar fervura, em lume médio, mexendo sempre. Remover quando o açúcar estiver totalmente dissolvido. Verter sobre o bolo enquanto este ainda estiver morno (absorve melhor a calda).

Eu decorei, também, com laranja desidratada que tinha comprado a granel e reservei alguma calda para os mais gulosos (eu) acrescentarem na altura de comer.

 

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 Este bolo não é tão doce quanto os típicos bolos de laranja. A toranja confere-lhe um toquezinho amargo que eu, pessoalmente, adoro. Mas, se preferirem, basta substituir a toranja pela laranja na receita e o resultado deve ser, igualmente, maravilhoso.

 

Quem mais usa toranja na cozinha? Que receitas têm para partilhar?

 

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08
Nov17

Halloween e as crianças: qual o limite?

JR

Há poucos dias atrás, deparei-me com uma fotografia colocada no Facebook por uma mãe exibindo, orgulhosa, os disfarces de Halloween dos seus três filhos - estimo as idades em 1 ano, 5 anos, 8 anos. Fiquei, completamente, incomodada. Ora bem, estas crianças estavam vestidas de qualquer coisa parecida com bonecos assassinos, com feridas faciais desenhadas e t-shirts cobertas em sangue artificial. Incluíndo o bebé. Tal foi o esmero que pareciam ter saído de um filme gore.

 

A minha primeira reacção foi a de um espanto assombroso. Como é que uma mãe, mesmo que na brincadeira, veste os filhos desta maneira? De que forma, mascarar os filhos de crianças zombie mutiladas, pode ser divertido? Como é que ver os filhos assim não causa incómodo, mas sim júbilo?

Logo de seguida, pensei nas crianças. Como é que se explica este disfarce? Como é que se banaliza a violência, a mutilação em tão tenra idade? Deveremos querer que as nossas crianças vejam os irmãos cobertos de sangue hipotético e achem giro, só porque é Halloween? E mesmo que, dentro da família tal não seja problemático, qual será a reacção dos colegas da escola mais sensíveis? Na verdade, deparei-me recentemente com um artigo que dizia que, segundo um estudo promovido pelo Child Study Center da Universidade Virgina Tech, 1 em cada 100 crianças tem medo do Halloween, resultando em desvios comportamentais que necessitam de psicoterapia durante vários anos. Se os filmes de terror, que também não são realidade, estão desaconselhados antes dos 16 anos, como é que tudo isto pode ser aceitável?

 

As origens do Halloween são já muito remotas. Há cerca de 2000 anos atrás, os Celtas celebravam, a 1 de Novembro, o Samhain, um festival que celebrava o fim do Verão e das colheitas e o início do Inverno que, na altura, correspondia a uma época escura e de doença. Eles acreditavam que, na noite de 31 de Outubro, os fantasmas dos mortos conseguiam regressar à Terra. Como tal, colocavam comida e outras oferendas à porta das suas casas, na tentativa de os manter felizes e afastados do interior das mesmas. Se, por alguma razão, algum dos vivos tivesse de sair à rua, usava uma máscara para que pudesse passar despercebido entre os fantasmas. Muito anos mais tarde, com a influência do Cristianismo, o dia passou a ser chamado de Dia de Todos os Santos, um dia para honrar os mortos. Efectivamente, nessa altura, os pobres iam, de porta em porta, pedir pão em troca de orações pelos antepassados das famílias.

 

Contudo, nos EUA é que o Halloween se tornou popular, muito pela influência dos imigrantes irlandeses que, no séc. XIX, chegaram à América. Aí, crianças e adultos, mascaram-se e vão, de porta em porta, pedir os famosos doces (ou travessuras). É, actualmente, um festival muito virado para as crianças, com o intuito de juntar a comunidade em celebração dos seus antepassados, jogos e brincadeiras. Houve, mesmo, um esforço conjunto de banir o grotesco e o assustador desta celebração.

 

Nos dias que correm, em que a violência real parece estar cada vez mais presente, é este tipo de infância e brincadeiras que queremos dar aos nossos filhos?

 

 

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06
Nov17

Pequenas ideias para mudar o mundo #5 - pratos e panelas

JR

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Já não é a primeira vez que falo num detergente caseiro feito à base de sabão de castela. Este fim-de-semana tive de reabastecer o nosso stock, pelo que aproveito para partilhar a receita com vocês.

 

Já há algum tempo que não compro detergente da loiça. Tenho lavado os pratos com este detergente que eu própria faço - em 5 minutos!

Uma vez que é feito com sabão de castela, tenho a certeza que não estou a utilizar nenhum ingrediente nocivo para o meio ambiente. Utilizo os óleos essenciais que quiser para lhe dar o aroma perfeito! As únicas embalagens de plástico (reciclado) que utilizo são as do sabão de castela do Dr. Bronner´s - cada embalagem dura-me imenso tempo (e também as utilizo para fazer o detergente para o chão...!).

 

Este detergente, sendo uma versão diluída, faz menos espuma que os detergentes de compra. Considero que, a diluição que eu uso, funciona perfeitamente para nós. Basta pôr um bocado do detergente na esponja da loiça e lavar logo, sem passar a esponja previamente por água. De qualquer forma, podem utilizar o sabão de castela puro, sem adicionar água (aí terão muuuuita espuma), mas penso que será um desperdício de recursos e dinheiro. 

Não tenho problemas a desengordurar a loiça. Pratos e embalagens de silicone e de plástico podem necessitar de mais do que uma passagem de detergente, mas isso já me acontecia com os detergentes de compra também. O meu truque para loiça mais difícil de desengordurar já é antigo. Aprendi-o nos tempos da faculdade com um rapaz meio italiano: colocar o detergente directamente na mão e lavar assim, sem esponja! Fica perfeito em apenas uma lavagem! 

 

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Ingredientes:

- 200mL de sabão de castela líquido - utilizei o da Dr.Bronners, sem cheiro (comprei aqui);

- 650mL de água;

- 5 gotas de óleo essencial de tea tree - devido às suas aparentes propriedades antibacterianas;

- 10 gotas de óleo essencial de laranja - porque cheira muito bem.

 

Juntei, numa garrafa antiga de água do Luso, todos os ingredientes e abanei bem! Feito!;) 

Depois foi só encher o dispensador mais pequeno que tenho junto ao lava-loiça.

 

Experimentem! Depois digam-me como correu 

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01
Nov17

Know your enemies #2: MRSA

JR

...também conhecido por Staphylococcus aureus meticilino-resistente.

 

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Basicamente, é a versão Hulk dos Staphylococcus aureus, uma vez que é resistente a muitos dos antibióticos utilizados no tratamento destas infecções. É essa a razão do alarmismo em relação a este bicho: maior dificuldade em matá-lo.

 

No mundo da Fibrose Quística (FQ), o MRSA tem sido cada vez mais estudado, pela sua aparente relação com um declínio acelerado da função pulmonar. 

 

Sendo uma bactéria associada ao uso elevado de antibióticos, a sua principal "residência" é nos hospitais ou noutras instituições relacionadas com cuidados de saúde (lares, centros de cuidados continuados, etc). Qualquer doente susceptível (como é o caso da FQ) apresenta um maior risco de infecção por este bactéria. Os doentes com FQ têm contacto frequente com os serviços de saúde (consultas de rotina, colheita de secreções, avaliação respiratória, fisioterapia...). Cada visita a estes locais é um risco, pelo que os cuidados devem ser redobrados.

 

Infelizmente, um número cada vez maior de casos são adquiridos na comunidade, ou seja, aparecem em pessoas que não tiveram um contacto recente com os hospitais. Estes casos são difíceis de prever e de controlar. 

 

Dentro dos hospitais, os locais com maior isolamento de MRSA são: cuidados intensivos, enfermarias cirúrgicas e cuidados geriátricos/medicina interna. Os pavilhões de consulta de FQ também são um risco, pela maior concentração de doentes que possam estar colonizados/infectados.

 

O MRSA não apresenta risco, apenas, para a função pulmonar. Pode causar infecção grave associada ao uso de vários dispositivos: botões de gastrostomia para alimentação, cateteres venosos centrais para antibioterapia, etc.

 

No nosso caso, logo após o diagnóstico, foi feito um isolamento de MRSA nas culturas da bebé. Iniciou, imediatamente, antibioterapia oral prescrita pela equipa médica e passou a ser observada em consulta num dia específico (para impedir que ela contaminasse outras crianças). Uma vez que nós, pais, somos médicos, decidimos fazer uma pesquisa do bicharoco em nós mesmos - achamos que seríamos nós a mais provável fonte de contaminação. Não fazia sentido erradicar a bactéria na bebé se, depois, poderíamos infectá-la novamente...

Mas, o nosso resultado veio negativo. Vária vezes. Concluímos então que, em 3 semanas de vida, a bebé teria contraído a bactéria no hospital: ou no pavilhão das consultas ou ainda na maternidade.

Depois de concluído o primeiro ciclo de antibiótico, infelizmente, o resultado veio positivo outra vez. Não tinhamos tido sucesso. Voltamos a repetir um novo ciclo de antibióticos, desta vez mais prolongado. 

 

Entretanto, em casa, descobri um protocolo de descontaminação para MRSA (da Infection Prevention Society).

Consistia no seguinte:

Enquanto estivesse a tomar os antibióticos, todos os dias tinha de:

1- mudar a roupa do berço e lavá-la a 60ºC;

2- mudar roupas e pijamas e lavá-los a 60ºC;

3- mudar a toalha de banho e lavá-la a 60ºC;

4- desinfectar brinquedos, talheres e tudo que ela pudesse levar à boca.

 

Fazia sentido. Desta forma, à medida que o antibiótico ia diminuindo o número de bactérias no seu organismo, nós iamos também eliminando todas as bactérias que, eventualmente, ela fosse deixando pelo caminho. Evitávamos, desta forma, a reinfecção ao máximo. Coincidência, ou não, não voltamos a ter nenhum isolamento de MRSA até ao momento.

 

No Hospital, temos alguns cuidados. Quando ela era pequenina e ainda não andava, contactava o mínimo possível com as superfícies hospitalares. Agora, isso é impossível de controlar. Ela corre por todo o lado!

 

As nossas regras familiares:

- espera, sempre que o tempo o permita, no exterior do edifício das consultas;

- brinca à vontade, mas desinfectamos as mãos com frequência (ela já adora lavar as mãos!);

- evitamos que leve as mãos à boca (estamos a reforçar o ensino neste aspecto);

- leva os seus próprios brinquedos de casa e não brinca com aqueles que estão disponíveis nos gabinetes de consulta;

- todas as roupas que foram para o hospital, as dela e as nossas, vão para lavar;

- a mamã deixou de ser cirurgiã...

 

Estas são apenas as nossas experiências, enquanto família. Nada disto é infalível e não quer dizer que, no futuro, não nos deparemos novamente com esta e outras bactérias. Na verdade, faz parte do ciclo da doença. Estamos cientes disso.

Acima de tudo, temos de aceitar a impossibilidade de controlar tudo. E a imprevisibilidade da vida. Só assim teremos alguma paz no dia-a-dia.  No fundo, todos tentamos fazer o nosso melhor.

 

 

 

Bibliografia:

Methicillin Resistant Staphylococcus aureus - Report of the UK Cystic Fibrosis Trust Infection Control Working Group

- Conselhos para pessoas não hospitalizadas afectadas por MRSA - Infection Prevention Society

- Risk factors for persistant methicillin-resistant Staphylococcus aureus infection in Cystic Fibrosis - Mark T Jennings et al; Journal of Cystic Fibrosis 2017.

- Managing the care of Children and Adults with Cystic Fibrosis - Royal Brompton & Harefield; Imperial College London.

 

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