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The Middle Way

Blog humanitário e reivindicativo da liberdade e felicidade de todos, até do próprio planeta.

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20
Mar18

Pequenas ideias para mudar o mundo #7 - o vale dos lençóis

JR

A propósito do meu último post sobre o sono, decidi partilhar a receita do meu vaporizador de lençóis.

 

Há uns tempos, recebi um pequeno spray aromático de alfazema. Todas as noites, antes de dormir, aplicáva-o na minha almofada e relaxava quase de imediato. Aos poucos, tornou-se hábito, parte integrante de uma irregular rotina do sono (um bocado contrasenso...). Mas, nos dias em que adormecia numa almofada com cheirinho a alfazema, o sono chegava mais cedo e mais tranquilo. Provável efeito placebo, mas ainda assim...

 

Quando a embalagem acabou, debati-me com a perspectiva de comprar mais coisas supérfluas cá para casa: mais embalagens de plástico em coisas que, na verdade, não me eram essenciais. Acabei por perceber que conseguia reproduzir o spray de forma caseira, utilizando ingredientes que já tinha.

Et voilá!

 

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Vaporizador de alfazema:

 

- 480 mL de água fervida (arrefecida)

- 2 colheres de sopa de álcool (podem optar por uma bebida alcóolica sem cor como aguardente, vodka...)

- 10-15 gotas de óleo essencial de alfazema

 

Misturam-se todos os ingredientes numa embalagem de vaporizador e já está!

Aplico todos os dias, antes de fazer a cama e na minha almofada pouco antes de dormir. 

Podem variar o aroma alterando o óleo essencial. No Verão, algo mais cítrico também pode ser interessante.

 

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Bons sonhos! 

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14
Mar18

ZZzzzZZ ou a importância do sono

JR

Lamentavelmente, perdi muitas horas de sono.

Na verdade, sempre fui daquelas pessoas que trabalham pela noite fora. Aproveitei bem os meus anos de faculdade, saindo pela noite de Coimbra na expectativa de me cruzar com belas serenatas à luz da lua. Noitadas de estudo nas cantinas ou bibliotecas eram uma constante na época de exames. Mas, nessa altura, compensava com manhãs inteiras de sono despreocupado.

 

Chega o dia em que começamos a trabalhar. Horários para cumprir. Noites de urgência. Dias de folga fictícios. 24-36 horas de sonos irregulares e intermitentes.

 

Por fim, a maternidade. Sonos até ao meio-dia passam a ser uma miragem, um delírio das mentes cansadas. É nesta altura que começamos a olhar para trás com algum arrependimento: tantas horinhas de cama deitadas pela janela.

 

 

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O sono é essencial ao ser humano.

Um adulto necessita de 7.5 - 8 horas de sono diárias. Curiosamente, alguns estudos concluíram que dormir menos de 4 ou mais de 9 horas por dia (de forma regular) aumenta o risco de morte por doença cérebro-cardiovascular e cancro. Cada vez mais me convenço que, em tudo, o segredo reside no meio-termo.

 

Mas, quais são as funções exactas do sono? 

Bom, ainda são um mistério. Algumas teorias têm sido propostas, das quais destaco:

 

- Renovação celular (principalmente de células cerebrais).

- Facilitação na remoção de agentes tóxicos do SNC.

- Consolidação da memória.

- Manutenção da integridade da complexa rede neuronal.

- Termoregulação.

- Expressão genética.

 

O que sabemos, mais concretamente, são os efeitos (nefastos) da privação de sono.

 

- aumento da tensão arterial;

- aumento dos níveis séricos de cortisol;

- aumento do apetite;

- aumentos dos mediadores pró-inflamatórios e do stress oxidativo;

- menor capacidade na execussão de tarefas motoras;

- aumento dos níveis de ansiedade e agressão;

 

A longo prazo, estas alterações podem traduzir-se em distúrbios/doenças conhecidas: obesidade, diabetes mellitus, hipertensão arterial, enfarte agudo do miocárdio, AVC, doença de Alzheimer, depressão...

Doenças que, apesar da predisposição genética, têm uma inquestionável base comportamental. E que andam, muitas vezes, de mãos dadas. 

Por outro lado, o cansaço crónico associa-se a uma elevada sonolência diurna que, por sua vez, tem várias consequências: menor produtividade e desempenho profissional, menor interacção social, maior risco de acidentes, menor qualidade de vida.

 

Tudo isto ganha, logicamente, uma importância redobrada quando falamos no sono das crianças e dos adolescentes. É essencial ao seu desenvolvimento cognitivo.

 

 

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Esta é, sem dúvida, uma das coisas que tento mudar no meu dia-a-dia. DORMIR. Na verdade, parece simples e ao nosso alcance, mas os hábitos enraizados podem ser difíceis de mudar. Difíceis, mas não impossíveis.

 

E, com isto, faz-se tarde...!

 

Lights off. Good night.

 

 

 

Referências:

Bradley's Neurology in Clinical Practice, 102, 1615-1685.e7

- Sleep deprivation and circadian disruption. Stress, allostasis and allostatic load; Bruce S. et al; Sleep Med Clin 10 (2015)

- Positive affect and sleep: a systematic review; Anthony D. Ong et al; Sleep Medicine Reviews 35 (2017) 21e32

 

 

 

 

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06
Mar18

A viagem - uma história. O Fim

JR

Setembro de 2012

 

Desta vez, atravessei Portugal na horizontal. A estrada tornou-se mais acidentada, com curvas apertadas, serpenteando ao longo de montanhas. Deixo para trás o Parque Natural de Montesinho. Chego, sem grande dificuldade, a Chaves. Começo a não gostar de domingos. As cidades tornam-se melancólicas de tão vazias que estão. As ruas desertas de lojas fechadas. Passo por casais solitários e calados, de mãos dadas, que passeiam pela Rua Direita, por baixo de varandas de madeira. Sento-me a olhar o Tâmega que passeia calmo, também ele domingueiro. O tempo passou rápido: nove dias supersónicos num país que me enche a alma. Como uma sandes num café e vejo o telejornal. O povo português, pacífico por natureza, começa a exaltar-se. Os ânimos aquecem num descontentamento que é geral.

 

Atravesso o fabuloso Gerês. As montanhas são gigantescas, imponentes! A estrada ziguezagueia lá no alto, vertiginosamente, em vistas fenomenais. Deixo barragens para trás, vejo burros pelo caminho. Olho o mapa, já rasgado do uso, e seguro o volante. Sinto-me cada vez mais confortável a conduzir. Desenvencilho-me em Braga, depois de me ter perdido por breves instantes, e entro novamente na estrada nacional. 

Estou no Minho! Tudo à minha volta é verde! Vejo videiras de uvas escuras, maduras. Festas em várias vilas, honrando vários santos.

Entro em Ponte da Barca. A praça central tem um café com muita gente. Atravesso a praia fluvial e arrependo-me de não ter trazido o bikini vestido. Lá ao fundo, vejo a ponte em contraluz. Perco-me nas ruas e encontro um caminho de terra batida atrás da igreja e aproveito para petiscar umas amoras silvestres que pendem de muros velhos.

 

Em Ponte de Lima festejam-se as colheitas. A margem do rio está cheia de vendedores, de carrinhos de choque e de quiosques de farturas. Acendem-se as luzes. As pessoas estão felizes. Eu estou feliz.

Tenho, pela primeira vez, companhia no quarto da Pousada. Hoje, aqui, estou apenas eu e um grupo de franceses. Trocamos poucas palavras em inglês, língua comum, e sorrimos. Dentro de poucos dias regresso à companhia dos meus colegas, à agitação normal do dia-a-dia. Regresso a casa. 

E onde é casa?

 

***

 

Comprei o jornal em Valença. Conclusão? O mundo está um caos! Existe uma diferença abismal entre ler uma notícia solta, aqui e ali, e ler um jornal de fio a pavio. É a austeridade e a violência doméstica. É a violência na Síria, que se mantém sem previsões de fim para breve. É o Japão e a China que lutam pela posse de ilhas onde poderá haver petróleo. São manifestações contra o vídeo que ridicularizou Maomé, com ameaças de morte a americanos. 

Morte. Em segundos, mata-se uma pessoa. Em dias, milhares morrem. Não é a morte, em si, que me assusta. É o ódio e o medo no olhar. A desvalorização da vida. A intolerância. O poder. A patetice dos egos. Tudo isto me ultrapassa. As guerras continuam, a história repete-se. Não houve evolução de espírito, houve aumento de cobardia. E vivemos nós na modernidade...

Perdida na fortaleza antiga de Valença, a minha viagem foi interior. Para quê imaginar antigas batalhas, quando elas nos desfilam, diariamente, à frente dos olhos? Para onde caminhamos? Qual o nosso papel?

 

Em Vila Nova de Cerveira um rio separa-me de Espanha. Uma angústia mancha-me a alma. Imagino-me um pontinho minúsculo no mapa de Portugal (invisível no mapa do mundo!) e a percepção da minha pequenez esmaga-me. Na Pousada da Juventude cruzo-me com um casal jovem que está a fazer o check in. Nesta altura do ano, somos poucos em viagem por estas bandas. As aulas começaram, o dinheiro não chega. Estico as costas, já doridas da viagem, e espero que os minutos passem a seu ritmo. Não tenho pressa.

Ao final da tarde, decido sair. O centro da vila alcança-se num instante. A praça está, moderadamente, cheia. Pacatos senhores, sentados em frente à Igreja, trocam impressões. As ruas estão repletas de pequenos farrapos coloridos que anunciam que, também aqui, houve festa. Compro uns enlatados numa mercearia que levo para jantar. Já na pousada, o tal casal senta-se na sala de convívio e vemos juntos, sem ver, um programa qualquer na televisão.

 

Por muito que viajemos sozinhos, por muito isolados que estejamos, nunca estamos sós. Cada cidade pode ser nossa, cada pessoa pode ser família. Pela estrada fora, tenho encontrado um povo português abatido, mas sempre afável. Por mais pequeno que seja o nosso ponto no mapa, temos um mundo que nos rodeia e que merece o nosso esforço. Cada um de nós importa. A nossa mais pequena acção repercute-se na vida de alguém. As acções somam-se. Que venham todos os jornais! A informação é a arma de qualquer luta pacífica.

 

***

 

Estou no último dia da viagem e segui caminho até à maravilhosa Foz do Minho. Soube-me bem voltar a pisar areia da praia. Pela primeira vez, pisei águas fluviais e marítimas em simultâneo! Senti, de imediato, o cheiro a maresia. Inspirei fundo, abrir os braços e sorri para Espanha. As ondas aterram pacificamente na areia e, lá longe, ouve-se o rugido ininterrupto do oceano. Sinto-me, literalmente, entre a tempestade e a bonança, como se estivesse no limbo que separa o passado do futuro. Demorei-me longos minutos a saborear esta antítese de tempo e de estado de alma.

Mais tarde, acabei por parar na praia de Afife. Apesar do sol, sopra um vento gelado. Enchi-me de coragem, corri até à água e mergulhei.  Senti-me congelar de forma progressiva, cada osso do meu corpo a protestar. A praia estava deserta. Deitei-me ao sol frouxo, tentando secar o máximo possível e adormeci na imensidão das horas que ainda tinha até ao anoitecer.

 

A meio da tarde, estaciono em Viana do Castelo. Mais uma cidade feita de reboliço. Fiz o resto do caminho até Penafiel sem parar. Cheguei ao anoitecer. Jantei numa tasca com um amigo da faculdade e conversamos até tarde.

 

 

***

 

Chegar a Faro é aconchegante. Não consigo descrever a paz que sinto. É incrível como, em pouco tempo, moldamos uma cidade à nossa medida.

 

 

Lembro-me perfeitamente do primeiro momento que pisei Faro. Consigo, ainda, sentir a estranheza do local, a entrada fria pela zona industrial, o Fórum iluminado com as luzes do Natal, o cansaço da passagem de ano recente e a alegria, sim, a imensa alegria de estar ali, no abismo do desconhecido. Tinha uma cidade inteira por descobrir, um Algarve de costa longa e, principalmente, tempo nas minhas mãos para aproveitar cada passo. Faro, nos longos dias quentes de Verão, tornou-se o nosso recanto. Voltei a dar valor aos pequenos prazeres da vida: um livro numa esplanada com vista sobre o mar ou sobre a ria, gargalhadas fáceis numa mesa rodeada de amigos, derramando o olhar sobre o horizonte largo e longo.

 

Serviço após serviço, estágio após estágio, conheci gente diferente e aprendi com todos eles. Aprendi com os meus colegas, meros internos como eu, na base da cadeia alimentar hospitalar. Colegas que se tornaram amigos. Aprendemos como sobreviver à insegurança que a falta de experiência nos dá e a arranjar forma de ganhar essa experiência e de a partilharmos. Aprendi que, num simples balcão dos verdes, por vezes caótico, conseguimos organizar a nossa pequena equipa e conseguimos ser bons, verdadeiramente bons. Ficamos contentes com os pequenos grandes diagnósticos que fazemos, com o nosso raciocínio cada vez mais perspicaz. Aprendi, sobretudo, com os doentes.

 

***

 

A dona Miquelina, uma senhora de 89 anos,  deu entrada no nosso internamento, enviada do Serviço de Urgência. Era uma senhora pequena, magra, de cabelo curto acizentado, de conversa escassa e olhar triste. Vinha com queixas vagas de dor abdominal e um diagnóstico inicial de gastroenterite e desidratação. Trazia, contudo, uma TC abdominal onde se via um volumoso conglomerado adenopático junto à aorta. Ficou connosco para estudo de caso clínico.  Cabia-me, a mim, avaliar a sua evolução clínica todas as manhãs, pelo que acabamos por manter um contacto próximo. Alegrava-me nos dias em que não sentia dor, ou quando o seu apetite aumentava. Fez inúmeros exames. Melhorou e piorou, ciclicamente.

Tinha um linfoma. Pequenas outras adenopatias foram descobertas, mais tarde, à volta dos brônquios e da traqueia. Foi piorando, lentamente. Tinha muitas visitas de familiares, principalmente da sua neta, que lhe tinha uma dedicação enternecedora, já rara nos dias de hoje. A doença estava disseminada e tentavamos dar-lhe conforto, apesar das infecções respiratórias sucessivas que acabou por ir sofrendo.

 

Naquela manhã, durante a visita à enfermaria, percebi-lhe uma maior dificuldade respiratória que se agravou de forma galopante. Poucas palavras me conseguiu dirigir, mas hei-de sempre recordar o olhar assustado, dirigido ao tecto do quarto, como quem procura o céu. O vaivém da enfermeira, aumentando o oxigénio e a dose de morfina. O telefonema para a família, as lágrimas escondidas do chefe da equipa. Eu que lhe dava a mão e engolia as lágrimas que não queria soltar. O medo nos olhos e a respiração ofegante. A neta a chegar e o conforto do abraço, o aconchego de ter um pouco do lar num quarto impessoal do hospital. O medo que vai passando nesse abraço, cada vez mais apertado de despedida. As cortinas que fecham, as lágrimas que não contenho. O abraço que dou à neta. O óbito certificado. A mão que dou à dona Miquelina que encontrou o céu. A certeza que também somos impotentes e que a vida acaba. A família. Os médicos. Os doentes. A dona Miquelina que me ensinou a ser forte.

 

 

 

Larguei as malas no meu quarto fechado e escuro e deitei-me no sofá da sala. No meu sofá. Na minha sala.

Esta viagem acaba.

Outra começa.

 

 

FIM

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20
Fev18

7 pequenas mudanças que vieram para ficar

JR

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É provável que já seja um pouco tarde para rever o último ano. Mas, à medida que o tempo passa, sinto vontade de sedimentar as coisas. De olhar para trás e ver onde estive e onde estou. O que ficou pelo caminho. O que chegou para ficar.

 

Quanto mais leio e aprendo, mais certezas tenho de que, não sei bem como, cheguei ao caminho certo. Às vezes custa-me acreditar nestas coisas do destino. Mas, a verdade é que um conjunto de infortúnios acasos me trouxe até ao dia de hoje, uma cambalhota inacabada de 180º, pondo-me de pernas para o ar. Ou seria o contrário? Estaria eu, anteriormente, de pés para o firmamento? Será que só agora regressei à posição de pés acentes na Terra?

 

Bastou-me parar por um momento para me aperceber que muita coisa de errado se passa na nossa sociedade. Penso que todos o veríamos com maior clareza se nos dessem tempo para olhar à nossa volta. Se nos dessem espaço para cuidarmos melhor uns dos outros: não existimos sozinhos. Não existimos sem o nosso planeta Terra (pelo menos enquanto não nos catapultarem para Marte!). Está mais do que provado que urge apostar num desenvolvimento sustentável das populações e, para que tal aconteça, várias mudanças profundas têm de acontecer ao nível de todos os sectores mas, principalmente, a nível de cada um de nós. Individualmente. É importante que sejamos interventivos, participantes activos na sociedade e não meros espectadores. 

 

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Em retrospectiva, consegui identificar aquilo que mudei, definitivamente, em mim e nas minhas acções:

 

- Compras a granel e com sacos reutilizáveis (aqui)

Sem dúvida, algo simples de aplicar mas que faz uma diferença enorme no desperdício (alimentar, de plásticos...). Obviamente que não conseguimos reduzir completamente as embalagens. Existem produtos que consumimos que não se encontram a granel. Aceitamos esse facto, mas comprometemo-nos a reduzir o máximo possível.

 

- Diminuição dos descartáveis

Tenho a minha garrafa de inox para a água e os meus copos de bambu para os cafés on the go (um de 400 mL para as bebidas deliciosas do Starbucks e outro para o café expresso). Tenho a palhinha de inox para a pequenina beber o seu leitinho ou suminhos fora de casa. Tenho um kit de talheres de metal para usar em substituição dos de plástico que muitas vezes nos oferecem. Nem sempre conseguimos fugir aos descartáveis, mas tentamos fazê-lo sempre que possível.

 

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- Iogurtes caseiros (aqui)

Já só compramos uma embalagem de vez em quando para podermos fazer mais! Na verdade consigo utilizar uma única embalagem normal de iogurte para fazer 14 iogurtes (e ainda como umas colheres no fim). A minha iogurteira é eléctrica mas, actualmente, existem versões completamente livres de energia (como a Yogurtnest). Não patrocinado

 

Discos de algodão reutilizáveis (aqui)

Nunca mais comprei discos desmaquilhantes! Never more.

 

- Escovas de dentes de bambu 

Fazem o mesmo que as outras e são mais leves! Para além disso, reduzimos a quantidade de plástico não reciclável. Ainda podem encontrar algumas escovas de plástico cá em casa: as que já tinhamos comprado, as que são usadas para a limpeza da casa e as das visitas (espero que esta última parte comece a mudar em breve..:D).

 

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- Detergente da loiça caseiro (aqui)

Escusado será dizer que também não voltei a comprar detergentes da loiça. Uma embalagem grande de sabão de castela líquido dá-me para litros e litros de detergente. Também costumo fazer o lava-tudo que uso no chão. No entanto, com o tempo, reparei que não é tão eficaz nas madeiras e, portanto, apenas uso nas cerâmicas. 

 

- Compras conscientes

É certo que tenho de consumir. Tenho de comprar coisas e as coisas geram lixo e o lixo consome recursos ou polui. Por isso, penso em cada compra que faço. Dou preferência às embalagens de vidro e metal. Escolho produtos com menor impacto ambiental. Reutilizo sempre que possível. Dou preferência às embalagens recicladas. Favoreço as marcas que aceitam as embalagens de volta. Procuro o fair trade e as produções sustentáveis.

 

 

Reflectindo, foram pequenos passos. Lentos, levaram o seu tempo. 

Acredito que, apenas com calma, as mudanças se podem tornar permanentes. 

 

 

 

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11
Fev18

Bolo de cardamomo, flor de laranjeira e sementes de papoila

JR

Adoro especiarias.

Gosto de testar os sabores, de os variar. Gosto de treinar o paladar da pequenina. Assim que ela teve luz verde para fazer as refeições da família, comecei a introduzir sabores novos, texturas diferentes. Quero acreditar que, assim, ela irá crescer saudável e curiosa pela alimentação e pela cozinha. Na Fibrose Quística, a nutrição pode ser um desafio, devido às dificuldades na absorção dos alimentos. Por isso, quero que, para ela, a nutrição seja um prazer. A melhor forma é começarmos cedinho e dando o exemplo!

 

Sempre que posso, cozinho as coisas que ela come, evitando ao máximo os produtos processados e embalados. Ao lanche, vamos variando entre iogurtes naturais (feitos na iogurteira), leite, pão, bolachinhas e bolinhos (preferencialmente caseiros!). Já há bastante tempo que andava a namorar a ideia de fazer um bolo de cardamomo. Acho-o um ingrediente fastástico, ficando óptimo em pratos salgados ou doces. Abuso dele no nosso golden milk. Gosto de cozer o arroz com algumas vagens à mistura, dando um toque oriental subtil, mas certeiro. 

Aparentemente, o cardamomo é rico em vitaminas e micronutrientes. Há quem afirme que tem propriedades pró-cinéticas, podendo ser um valioso aliado na digestão. Parece que contribui para o controlo da náusea. Encontrei, inclusivamente, um estudo que fala em propriedades broncodilatadoras atribuídas aos constituintes das suas sementes, principalmente, aos flavonóides. Os flavonóides estão amplamente presentes em várias frutas e plantas, sendo poderosos anti-oxidantes e anti-inflamatórios.

Mais uma vez, verdade ou não, não vejo inconveniente em utilizá-lo nas minhas receitas.

 

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Numa das minhas visitas habituais ao Miosótis, descobri a água de flor de laranjeira. Imediatamente pensei que deveria combinar lindamente com cardamomo. 

Et voilá, apresento-vos este bolo, testado e aprovado pela família!

 

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Bolo de cardamomo, flor de laranjeira e sementes de papoila:

 

Ingredientes:

- 175g de manteiga sem sal

- 200g de açúcar

- 225g de farinha

- 1 colher de chá de fermento

- 3 ovos

- 1 colher de sopa cheia de cardamomo em pó

- 3 colheres de sopa de água de flor de laranjeira

- 100 mL de leite de amêndoa

- 1 colher de sopa de sementes de papoila

 

Pré-aquecer o forno a 180º.

Unta-se uma forma de bolo inglês com manteiga e polvilha-se com farinha.

Numa taça grande, bate-se a manteiga e o açúcar até ficarem cremosos. Adicionam-se os ovos, um a um. 

Numa taça à parte, misturam-se os ingredientes secos: farinha, fermento e cardamomo em pó. Posteriormente, adicionam-se estes ingredientes secos ao preparado obtido inicialmente e bate-se bem até ficar homogéneo.

Acrescenta-se, depois, a água de flor de laranjeira e o leite de amêndoa.

Por fim, incorporam-se as sementes de papoila.

Leva-se ao forno, a 180ºC, durante 50-60 minutos ou até passar no teste do palito.

 

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E vocês, como usam o cardamomo?

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07
Fev18

Carta de agradecimento à Burocracia Portuguesa

JR

Cara Burocracia,

 

Faz agora 14 meses que te enviei a primeira carta. 14 meses.

Na altura, com algum medo, lá escrevi aquelas primeiras linhas. No meio do turbilhão em que a minha vida se tinha tornado, foi difícil tomar aquela decisão. Mentira, corrijo. Foi uma decisão fácil e óbvia de tomar, foi difícil verbalizá-la. Torná-la oficial.

Como podes imaginar (permite-me a intimidade, mas já te sinto tão próxima), assim que pomos as coisas a andar, queremos é despachar o assunto! Já que ia mudar de carreira, de rumo, o melhor era fazê-lo logo! Não pensar demasiado, pelo risco de querermos dar dois passos atrás. Ruminar decisões importantes pode ser tóxico. Dá-nos tempo para ter saudades, para duvidar do futuro. E, acredita, gostava do que fazia! Mas, às vezes, as paixões que temos chocam entre si, anulando-se. Ganhou a paixão pela minha filha. Sempre acreditei que concordarias comigo mas, deixa-me insistir, demoraste demasiado.

 

Para alguém habituada a um ritmo incessante de trabalho, ficar tanto tempo à espera foi desesperante. Penso que todo o ser humano tem uma inclinação congénita para o queixume. Utilizei-o exponencialmente, difamando-te várias vezes. Porque eras lenta de mais, complicada! Querias papéis e mais papéis, querias que esses papéis fossem lidos e avaliados por várias pessoas...e bem! Concordo com a correcta avaliação das situações, não sou a favor de facilitismos. Mas, na era da tecnologia, custava-me compreender como é que esses papéis demoravam tanto a passar de mão em mão.

 

É por isso que te escrevo agora. Para te pedir desculpa e reconhecer que tudo na vida depende de perspectivas. Reconheço-o em retrospectiva. Substituo a revolta pelo agradecimento. 

Agradeço-te pelos 14 meses de espera.

Vejamos...

 

- Consegui acompanhar, diariamente, o crescimento da pequenina. Isso mesmo, todos os dias! Estive presente em todos os sorrisos, nos primeiros passos, nas primeiras palavras.  Não perdi, absolutamente, nada. Um privilégio, como podes calcular! A grande maioria das mães vê-se forçada a entregar, ao cuidado de outros, os seus bebés. Quantas internas se vêem pressionadas a terminar mais cedo a amamentação? Os olhares recriminatórios pelo horário reduzido como se de desleixe ou falta de interesse se tratasse? Que importância tem a família? Quem manda o interno ter família? O interno é um ser, idealmente, órfão. Órfão, solteiro e infértil. O tapa buracos. Deste-me os dois primeiros anos de vida da minha filha. Ser-te-ei, eternamente, grata.

 

- Consegui vigiar a saúde dela. Planear as refeições, dividir as enzimas pancreáticas com calma. Escolher os ingredientes e as calorias. Consegui controlar o ambiente em que ela cresceu, adaptando-o às necessidades e intercorrências.

 

- Estudei muito a Fibrose Quística. Tive tempo para, inconscientemente, negar a doença para, depois, conseguir aceitá-la. Tudo isso é um processo e todos os processos levam tempo. Mas, em 14 meses, consegui actualizar-me! Consigo perceber onde estão as falhas, os perigos. Sei o que precisa de mudar e a urgência com que deve ser mudado. 

 

- Foi-me possível abrandar o rítmo de vida. Parar e fazer o ponto da situação, repensar prioridades. Consegui redescobrir-me de outras formas, encontrar novas áreas de interesse. Tive tempo para ler muito, ao sabor da curiosidade e dos apetites (mérito do sono irrepreensível da bebé, que sempre me deu noites inteiras). Ao parar, conseguimos observar o pormenor. São os pormenores que tornam as nossa vidas únicas.

 

- Escrevi. Voltei a escrever. É a minha forma de paz.

"A literatura era o que acontecia ao seu autor quando se detinha, permanecendo imóvel, enquanto todos os outros continuavam a dobrar esquinas (...)". (a)

 

- Devo-te a meia-maratona. Sim, consegui correr uma meia-maratona! Deste-me tempo e calma para seguir um plano de treinos e tempo para, depois, recuperar do esforço. 

 

Podia continuar...tenho a certeza que conseguia espremer mais positivismo desta experiência. Quando, a princípio, achava que tinham sido 14 meses desperdiçados, apercebo-me da realidade. Ganhei-os. Vivi-os. Vivemo-lo juntas, eu e ela. Podia continuar a queixar-me da tua inércia e lentidão. Podia. Mas aprendi a ver a vida de outra forma (mérito da vida em si e do meu marido, um visionário). Perdemos coisas. Ganhamos outras.

 

De qualquer forma, agora que resolveste dar sinais de vida, não demores muito mais. As coisas entraram nos seus eixos, o destino segue o seu caminho. E eu estou pronta. Já posso ir trabalhar?

 

Com a nostalgia de uma despedida antecipada (duvido, porém, que definitiva),

Despeço-me cordialmente,

 

JR

 

 

(a) - in "Biografia involuntária dos amantes" de João Tordo.

 

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03
Fev18

A viagem - uma história #8

JR

Setembro de 2012

 

VIII

 

Desta vez, custou-me seguir em frente. Mas, Brangança esperava ansiosamente pela minha chegada. Antes de deixar o Côa e o Douro, com a nostalgia de uma despedida, fui comprar duas garrafas de vinho às caves de Pocinho e subi, sorvendo a paisagem, ao miradouro de Santa Bárbara, em Mós. O resto do caminho foi perdendo a beleza sem igual do Douro. A maior parte das estradas até Bragança parecem estar em obras intermináveis, sendo um aglomerado de betão, alcatrão e poeira castanha que me sujou o carro. A meio caminho, parei em Mirandela. Paragem estratégica para almoçar uma das suas famosas alheiras. O empregado de mesa, sempre brincalhão, lá me trouxe um fabuloso exemplar com todas as calorias a que tinha direito. Perguntei onde podia comprar aquelas mesmas alheiras, dirigi-me à loja indicada e lá vim eu, contente, com o meu petisco no porta-bagagens.

 

Chegar a Bragança foi um alívio! Tinha conseguido! Cheguei ao norte de Portugal! Quase a tocar Espanha! 

A pousada da juventude estava, pela primeira vez, repleta de gente, brasileiros em maioria. Jovens acabados de chegar para um ano de Erasmus. Trocámos umas palavras enquanto eles bebiam cerveja portuguesa, prontos a iniciar mais uma noitada de fim-de-semana. Lembrei-me, com nostalgia, dos meus primeiros tempos em Praga, naquele já longínquo ano de 2008.

Bragança é atravessada por um rio que parece estar a morrer, com pouca água estagnada. De qualquer maneira, tem um centro histórico acolhedor, que  me recebeu alegremente naquele fim de tarde. Acabei por me juntar à população numa das muitas manifestações contra a austeridade que decorreram por todo o país. Esta, muito mais modesta, mas com o mesmo empenho e indignação. Ouviram-se palavras de ordem, cartazes espalhados ao longo da praça, caras sérias e tristes. Numa das maiores manifestações que o país viu desde 1974, fiquei orgulhosa do povo português, da nossa perseverança e pacificidade, da nova geração que se levanta e luta por um futuro neste país que, apesar de pequeno, se eleva em beleza, história e determinação. O meu país que agora descubro.

 

Janto uns noodles rápidos e baratos, preparados na cozinha do alberguista, enquanto ouço as conversas animadas dos brasileiros, contando as suas peripécias. Parece que acabei de entrar numa das muitas telenovelas que passam, diariamente, nos canais portugueses.

 

 

Cheguei a Praga às seis da manhã. Lembro-me, perfeitamente, da primeira vez que a vi, naquela manhã fria e cinzenta, da janela do carro de Petr, o nosso buddy que, gentilmente, nos foi buscar ao aeroporto. Começava o meu ano de Erasmus, aquele que foi dos marcos mais importantes da minha vida, o grande ponto de partida para a minha independência. 

 

Hostivař é uma das zonas da periferia da cidade e é uma zona feia. Ficamos alojadas na residência universitária, um conglomerado de edifícios brancos e azuis, autênticos caixotes cheios de janelas. Mas, na verdade, aquele corredor do 6º piso foi o sítio mais acolhedor que podíamos ter encontrado. Rapidamente, formamos a nossa pequena família: portugueses, espanhóis, franceses e uma polaca. Tornámo-nos inseparáveis. Até hoje.

 

Praga é um conto de fadas. Relembro, inúmeras vezes, aquelas ruas pequenas de edifícios restaurados, coloridos, intricados. Acordávamos sempre de manhã cedo, ainda escuro, e fazíamos 40 minutos no tram 22 até o nosso hospital. Parece que ainda sinto o frio doloroso na cara, o reclamar dos ossos e o barulho dos pés ao pisar a neve fofa acabada de cair das nuvens. Tiritávamos de forma incontrolada, apesar do gorro enfiado até ao pescoço, do casaco apertado ao máximo e das luvas nas mãos. Mas Praga nevada, em plena época de Natal, com os seus Christmas´markets ficará, para sempre, na minha memória. O cheiro do trdlo acabado de fazer, o fumegar do hot wine nas nossas mãos e um grupo animado de Erasmus a cantar múscias de Natal por baixo de um pinheiro iluminado gigante.

Fiz, em plena Europa central, dos melhores amigos que levo comigo para a vida. Foi lá que cresci, que conheci mundo! Tudo nos era possível, tínhamos a liberdade nas mãos e vontade de a experimentar ao máximo. Em poucas horas eram decididas e planeadas viagens e, dias depois, lá estávamos nós a entrar para um autocarro, de mochila às costas e aventura como destino. Outras vezes, já fartos do frio da neve, ficávamos sentados, pela noite dentro, na carpete suja do corredor, a provar as deliciosas iguarias de vários países, acompanhadas pelo habitual meio litro de Kozel ou Pilsner fresquinhas. Viajávamos, apenas, nas nossas conversas, no partilhar de histórias e de diferentes culturas. Estar em Erasmus é estar no mundo inteiro ao mesmo tempo.

 

É difícil resumir um ano como aquele, em que tanto aconteceu e em que tudo mudou. Eu mudei. Fui para lá sem conhecer ninguém. Ia habituada à rotina de Coimbra, ao vaivém das festas académicas, dos encontros na Praça da República, da família perto. E, de repente, aterrei naquela cidade estranha, rodeada por milhares de jovens estrangeiros, cada um com o seu inglês de sotaque engraçado. Saí de lá com a certeza de que sou capaz de sobreviver, que me consigo adaptar às circunstâncias. Praga abriu-me as portas do mundo e despertou-me a curiosidade e a vontade de fazer mais, conhecer mais, saber mais. Ser mais.

 

***

 

Senti uma felicidade incontrolável quando te vi chegar naquele avião. O abraço apertado que me deste, que me elevou do chão por segundos, trouxe-me o Portugal que tinha deixado para trás. Queria mostrar-te tudo, partilhar aquele meu novo país contigo, mostrar-te o meu corredor, a neve nos telhados, as casas, as caras. Tinha saudades tuas. Tive sempre saudades tuas, apesar de adormecer, todas as noites, com a tua fotografia colada na parede ao lado da cama, perto da almofada.

 

E, portanto, lá estavas tu no meio da neve, com o gorro branco que te tinha dado enfiado na cabeça e o teu casacão de quadrados. Gostava de te ver lá, com o teu sorriso familiar de dentes que não se tocam, sentado no banco da frente do tram. Fazia todo o sentido estarmos juntos e, naqueles primeiros dias, Praga foi perfeita contigo. Tinham-se passado 6 meses desde a nossa despedida. Naqueles dias, enquanto olhava para ti, tive a certeza de que nunca nos iríamos separar. Não consigo explicar como, mas essa certeza cresceu em mim, minuto após minuto, na felicidade estonteante de te ter lá e de te querer lá. Foi uma certeza que se insuflou, cresceu, ganhou altura...

 

...e depois se estatelou no chão. É engraçado como as coisas mudam em instantes. Lembro-me tão bem desse momento em que deixei pousar, descontraidamente, os meus olhos na tua conversa virtual. O coração assustou-se e o corpo gelou. Não estava a compreender. Não queria compreender.Não era possível. Não. Não podia ser. Olha para mim, não vês? Sou eu. Eu. Era suposto ficarmos juntos, não sentes? Sentes. Dás-me as mãos. Abraças-me. Explicas. Desculpa as lágrimas, mas não as consigo controlar. Tremo. Lembras-te de como fomos felizes antes? Não me perdoas nunca e eu diminuo-me no teu abraço. Culpas-me. Culpo-te. Culpo-me. Vê como Praga se tornou feia. Vê como chove e eu não me importo. Tudo é cinzento do alto de Petřin e as ruas passam rápido pela janela do tram e não as vejo. Não consigo ver nada. Sinto apenas o nó na garganta e o erro em que tornámos o futuro.

Não vás ainda, dá-me a tua mão. O futuro vem depois e estás aqui. Ainda somos os mesmos hoje. Amanhã começamos a andar em sentidos opostos. Vamos fingir que tudo está bem. Lembras-te de como ríamos juntos? A tua face esquerda, a minha preferida. O alto na tua sobrancelha por causa do piercing. Os teus ossos salientes. O tempo passou. Voltamos atrás?

 

Se não fosse Praga, talvez ainda estivéssemos juntos. Aquele ano separou-nos definitivamente. Ganhei Praga e perdi-te. Naquela manhã, acordamos e levei-te ao aeroporto. Lembro-me que fizemos aquele caminho em silêncio, olhos nos olhos, de mãos dadas nos solavancos do autocarro, com a tua mala aos nossos pés. Conhecia-te tão bem...! Os teus olhos, o teu modo de olhar, o lábio inferior mais saliente. Deste-me o último beijo antes de embarcares. O último beijo da nossa história. Não houve mais carinho entre nós. Aquele avião levou-te.

 

 

To be continued...

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29
Jan18

Centro Cultural Hare Krishna - um oásis no meio da cidade

JR

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Já conheço este espaço há alguns anos.

 

Falo-vos deste espaço apenas enquanto restaurante vegetariano. Contudo, o Centro Cultural Hare Krishna promove diversas actividades: meditação, Bhakti-Yoga, entre outras. Promotores, também, do programa "Alimentos para a Vida", doando alimentos vegetarianos à população carente (procuram, inclusivamente, voluntários!).

 

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A entrada, situada na Rua D.Estefânia, nº91 - Lisboa, passa bastante despercebida. O espaço interior emana paz! Nos dias solarengos, o terraço torna-se o lugar ideal para o almoço. Chegando cedo, por volta do meio-dia, ainda são poucos os visitantes esfomeados. O terraço fica quase por nossa conta. As mesas estão distribuídas pelo espaço, ora aproveitando os raios de sol, ora estrategicamente colocadas em sombras refrescantes. Ao sabor do vento, tilintam pequenos espanta-espíritos pendurados nos ramos das árvores. Ao longe, um rasto de música indiana.

 

Chegamos e inspiramos, profundamente. As preocupações devem ser deixadas do lado de fora. O serviço é discreto, delicado e simpático. Existe apenas um menu disponível por dia - não nos é dada opção. Mas, garanto, nunca fiquei desiludida! O menu é sempre vegetariano. Consiste numa sopa aconchegante, um prato bem servido e variado, uma sobremesa sempre deliciosa. A acompanhar, um chá quente, em temperatura e sabor. Os pratos e copo são em inox. O único descartável fornecido é o guardanapo de papel. 

 

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O preço do menú é de 7,50€. Não servem café expresso, mas podem pedir uma cevada no final. Que isto não vos desmotive! Se a cevada não vos agrada, têm imensos cafés nas redondezas onde podem tomar o vosso cafezinho ao sair. 

Um espaço que vale a pena conhecer - e regressar, sempre que precisar de apaziguar a alma.

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26
Jan18

À conversa com: Carlos Henriques, Co-Fundador do Primeiro Restaurante Zero Waste Nórdico

JR

Não sei se sou eu que ando mais atenta mas, ultimamente, parece que noto a comunidade Zero Waste em franca expansão. 

Recentemente, tive a possibilidade de falar com o Carlos, conterrâneo e antigo conhecido, acerca do seu novo projecto: Restaurant Nolla - o primeiro restaurante nórdico totalmente Zero Waste. Senti, de imediato, necessidade de falar com ele e de entender melhor o conceito deste restaurante.

Segundo os dados da National Restaurant Association (EUA), cerca de 30 a 40% dos alimentos utilizados na restauração são desperdiçados. A esse facto, podemos adicionar a quantidade absurda de objectos descartáveis utilizados em cafés e restaurantes (copos, talhares, palhinhas, guardanapos...) que acabam, a maioria, por ser depositados em aterros e, posteriormente, nos oceanos. Sem falar nas embalagens utilizadas e no transporte das mesmas. Escusamos, também, de falar de todos os recursos energéticos a que um restaurante está associado.

Facilmente percebemos que a indústria da restauração tem uma pegada ecológica gigantesca. Sobre isto, não há dúvidas.

 

Na tentativa de repensar esta indústria, Carlos, Albert e Luka juntaram-se na saga de criar um restaurante onde o desperdício é...exacto, Zero!

 

Como? Vamos saber!

 

TMW - Olá Carlos! Em primeiro lugar, fala-nos um bocadinho de vocês e do vosso percurso.

Nós somos os três ex-cozinheiros. Neste novo projecto, acabamos por nos complementar: o Albert está responsável pela cozinha, o Luka pela sala e eu mais pela área de negócios.Vimos todos de ambientes rurais. Os meus pais eram agricultores e fui criado numa aldeia. Na verdade, podes tirar o Carlos da aldeia, mas não podes tirar a aldeia do Carlos. Em termos de formação, tirei o curso de Cozinha na Escola de Hotelaria de Manteigas e, posteriormente, o curso de Gestão Hoteleira na Escola Superior de Turismo e Hotelaria de Seia. Mais tarde, numa tentativa de expandir horizontes, decidi sair de Portugal. Comecei por trabalhar na Inglaterra e, em 2011, cheguei à Finlândia, onde resido de momento. 

 

TMW - E como é que vocês os três se conheceram?

Conhecemo-nos aqui na Finlândia. Eu e o Albert trabalhamos num restaurante com 2 estrelas Michelin, que entretanto já fechou, o Chez Dominique. Depois, fomos trabalhar para o Olo, um restaurante com 1 estrela Michelin, onde conhecemos o Luka. Acabamos por trabalhar juntos pouco tempo, mas mantivemo-nos amigos desde então.

 

TMW - E como é que surgiu a ideia do Restaurant Nolla?

A ideia foi do Albert e o projecto começou a ser desenvolvido por nós os dois, há cerca de 2 anos atrás. Mais tarde, juntou-se o Luka. Achamos que os três nos completamos em termos de funções e formação e o Luka fala finlandês, o que é uma mais valia. Ao longo do nosso percurso profissional fomo-nos deparando com a grande quantidade de desperdício a que os restaurantes estão associados. Existe uma procura incessante por produtos alimentares perfeitos.

 

TMW - E quais foram as principais dificuldades que enfrentaram até agora?

Eu penso que tenham sido as mesmas que qualquer projecto pioneiro. Quando começas a desenvolver um conceito inovador, não vais ter dias fáceis pela frente. Temos de estar preparados para isso: mais derrotas do que vitórias. Mas as coisas acabam por acontecer. O primeiro ano foi um ano mais teórico, de desenvolvimento da ideia. Depois, fizemos dois restaurantes pop-up para testarmos o conceito e vermos se, efectivamente, não produzíamos lixo. Nos últimos 6-8 meses estamos a trabalhar no Nolla praticamente a tempo inteiro.

 

TMW - De que forma é que o vosso restaurante é diferente? Como é que um restaurante consegue ser Zero Waste?

O que nós fizemos foi retirar todos os caixotes de lixo do nosso restaurante e começar a cozinhar! Essa é a melhor forma de nos tornarmos Zero Waste, pois muda a nossa maneira de pensar e de comprar. Criar um restaurante com este conceito, é relativamente fácil. Nós lidamos directamente com os produtores locais (diminuindo a pegada ecológica associada ao transporte) e não utilizamos comida processada, só isto elimina grande parte das embalagens. Todos os agricultores, tanto aqui como em Portugal, estão muito mais disponíveis para entregar os produtos em caixas e levaram as caixas de volta. Temos também um compostor no restaurante para pequenos desperdícios na cozinha ou restos de alimentos do cliente. Por dia, conseguimos transformar 20 kg de resíduos orgânicos em 2 kg de composto! Uma perda de 90% do peso do desperdício! Este composto é depois fornecido como fertilizante aos produtores com quem trabalhamos. Óleos, azeites e vinagres estamos a tentar comprar em bidões, directamente à fábrica. Vinho vamos ter, e vem em garrafas de vidro. O que nós estamos a fazer com essas garrafas é upcycling. As garrafas que utilizámos nos nossos restaurantes pop-up vão ser os nossos copos de água. Isto deve-se a um trabalho directo com designers. Por outro lado, tentamos vender menos vinho que outros restaurantes de fine dining. Nestes restaurantes faz-se, muitas vezes, o wine pairing (acompanhamento dos pratos por vinhos seleccionados). Nós vamos ter o beverage pairing, onde podemos ter um cocktail a acompanhar o prato principal, por exemplo. Isso permite-nos diminuir o número de garrafas compradas e utilizadas e, consequentemente, o lixo. E, claro, não vamos usar objectos descartáveis. Para nós a reciclagem é o worst case scenario. Vai haver coisas que, simplesmente, não vais poder utilizar se quiseres ser Zero Waste, pelo menos até o mercado mudar.

Para já, não temos solução para todos os problemas. Mas o importante, é trabalharmos nesse sentido.

 

TMW - Já conseguiram um espaço definitivo para o restaurante? Quando vai ser a abertura?

Sim, já temos. Vai abrir dia 15 de Fevereiro.

 

TMW - Como vão ser os menus? Quem é que os cria?

O Albert é quem está à frente da cozinha. Mas, os nossos menus vão ser um bocadinho diferentes. Quem escolhe o menu do dia não é o cliente, mas sim o agricultor ou o produtor com quem trabalhamos. Eles é que sabem quais os produtos da época e qual o produto mais fresco. Conforme os produtos que recebemos, podemos pensar o menu a 2-3 dias. Vai sempre variando conforme os produtos da época. O cliente, actualmente, já perdeu a noção de qual o vegetal ou fruta da época. Nós estamos a tentar trazer esse conhecimento para a mesa. As épocas são importantes para evitar o desperdício e para ensinar as pessoas a comer o produto no seu melhor. 

Vamos ter carne e peixe. Conversamos muito, em termos ecológicos, até decidirmos ter carne nos nossos menus. Acreditamos que, neste aspecto, mais importante que ter apenas agricultura orgânica é ter agricultura biodinâmica. A agricultura orgânica inclui animais neste processo. Os animais nas quintas, ajudam na diminuição do desperdício. Muitos alimentos que seriam desperdiçados são utilizados, nestas quintas, como alimento para os animais. Era este o modelo utilizado no tempo dos nossos avós. Nós vamos ter carne orgânica, proveniente apenas destas quintas, mas não prometemos ter sempre! Não vamos buscar a carne a produções intensivas. Quando um produtor tiver um animal em fim de vida, podemos ter carne disponível no nosso menu durante uns tempos mas, depois, podemos estar meses sem carne.

 

TMW - Vocês estão, neste momento, a pedir crowdfunding. O que conseguirem angariar vai ser aplicado em quê?

Essencialmente em marketing e compras de algumas máquinas e aparelhos. Estamos a pedir uma quantia, relativamente, pequena. É mais para nos ajudar a dar o impulso. Mas, o Nolla vai acontecer independentemente do crowdfunding! Também poderá ser utilizado no desenvolvimento de algumas actividades a nível universitário, porque também pretendemos ter uma vertente educativa.

 

TMW - Achas que este é o futuro da restauração?

Eu acho que este é o futuro do mundo! Nós vivemos num modelo que está errado! Um sistema de desperdício não faz sentido, nem do ponto de vista financeiro. Se nos sentarmos numa cadeira e pensarmos dois minutos, rapidamente nos apercebemos que aceitar o despedício, no dia-a-dia, não faz sentido.

 

TMW - Achas que Portugal seria receptivo a restaurantes como o vosso?

Quando comecei a pensar neste projecto, achei que não haveria mercado suficiente em Portugal. Ainda. Acredito que haverá daqui a uns anos.

 

TMW - Já pensaste trazer o Nolla para Portugal?

É um sonho. Mas é um sonho ainda longínquo. Claro que, agora, me tenho de concentrar neste projecto que temos em mãos. Mas, tudo o que nós conseguirmos, em termos de restaurante e conceito, é para partilhar. Se alguém tiver um restaurante e quiser vir aqui ver como nós funcionamos, nós não temos problemas nenhuns em mostrar. Se alguém quiser replicar o conceito em Portugal, não vejo problema. Não vamos estar a proteger a ideia. O nosso intuito é diferente. Somos um restaurante Zero Waste, temos clientes, fazemos lucro. É isto que pretendemos. Ter um restaurante de alta qualidade, excelente em serviço, excelente em comida, que seja Zero Waste e que faça lucro. Se reunirmos estas condicionantes todas, tenho a certeza que as pessoas vão querer copiar.

 

TMW - Qual é o significado de Nolla?

É zero em finlandês! É o restaurante Zero! 

 

Obrigada, Carlos!

 

 

 

 

 

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À data da publicação desta entrevista, a quantia pretendida por crowdfunding foi angariada! Muitos parabéns! E...até um dia destes! Em Helsínquia, claro! 

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22
Jan18

A viagem - uma história #6 e #7

JR

Setembro de 2012

 

 

VI

 

Quero uma casa em Monsanto. Pequena, com poucas divisões, de varanda virada para o pôr-do-sol e tendo, como parede, um pedregulho.

 

É um sítio que transborda paz, em todos os cantos da vila, com pedras enormes, lá no alto, quase a tocarem o céu. E o chilrear dos pássaros, à tardinha, preenche o silêncio. Chegar ao castelo é cansativo, mas totalmente compensador. Quem me deu as indicações precisas do caminho a seguir foi um senhor americano, de cabelo comprido, loiro, e longo bigode farfalhudo: "You just go straight up from here. Follow this road and you´ll find some beautiful, beautiful things". Pelo caminho, encontrei galinhas e um porco numa pocilga, revestida a pedra antiga e atapetada de maçãs podres que ele comia com vontade. Lá no alto, no ponto mais alto, sentimo-nos donos do mundo, como se mais nada estivesse acima de nós. A vista devolve-nos anos de vida, coragem, força, determinação. Por isso mesmo, sublinho, quero uma casa em Monsanto.

Deixei-me ficar no castelo durante um bom bocado. Queria gravar, de qualquer forma, aquela imagem na memória, para poder voltar a ela sempre que quisesse. Agora, apenas à distância de um dia, queria ser capaz de descrever todas as tonalidades que vi, mas já não consigo. No caminho de regresso, encontro uma senhora, vestida de preto e de cabelos brancos, a dormir sentada,  cabeça pendente, num banco de pedra. Silenciosamente, tirei uma fotografia. Voltei-me para seguir caminho, quando ela me chama - "Ah, veja lá! Estou com uma soneira! Venha aqui ver as marafonas, para ver se acordo". "Pois, deixe lá...depois de almoço é mesmo hora para ter sono" - brinquei enquanto avançava para o cestinho cheio de bonecas. "São todas ao mesmo preço. Aquelas pequenas têm um íman para pôr no frigorífico." - explicou - "é a minha filha que as faz". Eram, realmente, engraçadas. Fiquei a saber que as marafonas, estas bonecas de vestidos coloridos e cabeça branca, eram usadas em rituais de fertilidade. "Até já estive no Porto, naquele programa da Praça da Alegria" - gabou-se. Sorri, pedi desculpa por não comprar nenhuma, mas estava sem dinheiro e o multibanco ficava a uns quilómetros de distância.

 

Estou, portanto, nas Beiras. Tudo à minha volta me parece familiar, desde a paisagem rochosa, granítica, ao cheiro dos pinheiros. Aproximo-me da Guarda, o meu próximo repouso. Chego ao fim do dia, faço o check in no Hotel e deito-me a dormitar uma hora antes de sair.

A zona central da Guarda é acolhedora. À volta da Sé espreguiçam-se ruas estreitas pitorescas com cafés e esplanadas. Sento-me numa delas e escrevo um postal de cortiça, que comprei a um senhor, enquanto me refresco com uma cerveja fresquinha. Decido jantar no quarto do hotel, para poupar algum dinheiro. Faço uma salada rápida. Viajar assim, por Portugal, não fica barato e estamos em crise. Aproveito a boleia e encosto-me na cama a ouvir o discurso do nosso Primeiro Ministro, senhor ilustre, que nos diz, calmamente, que estamos todos lixados.

 

 

VII

 

Rectifico. Quero uma casa algures no Vale do Côa. Não apenas uma casa, quero uma quinta com videiras, oliveiras e amendoeiras em flor. Quero produzir vinho, azeite e acordar para a vastidão de flores brancas! 

 

A manhã, na Guarda, começou como todos os outros dias, com o pequeno-almoço  a que já estou habituada. Assim que peguei no carro, apesar de me sentir confiante ao volante, acabei por me enganar e apanhar uma auto-estrada. Mais um desperdício de dinheiro! Assim, quase sem querer, cheguei a Almeida por Trancoso. Almeida, a cidade muralhada mais impressionante de Portugal, com as suas fortificações em forma de Estrela. Contudo, depois de tanto ter calcorreado Portugal, e de ter encontrado recantos tão bonitos, Almeida não me impressionou. Dei a volta à muralha, sentei-me a comer uma pêra e segui caminho.

 

Decidi parar em Castelo Rodrigo. Segundo o mapa, era a paragem seguinte mais lógica. Ao chegar à rotunda que me levaria ao castelo, lá no alto, reparo numa placa que indicava o caminho para um miradouro na Serra da Marofa. Nem mais! "Vamos lá inovar!" - pensei eu. Subi, subi muito, numa estrada ora ladeada por pinheiros, ora por um precipício à direita. Tentei concentrar-me na estrada à minha frente, resistindo à paisagem absolutamente deslumbrante, que adivinhava pelo canto do olho. Ao longo da subida, vão aparecendo pequanas casinhas de pedra que, no seu interior, albergam pinturas cristãs. Chegar ao cume, foi das melhores surpresas desta viagem! Lá no topo, uma estátua de Cristo recebe-nos de braços abertos. Uma espécie de Cristo-Rei em ponto pequeno. Mas ele lá está, abrindo os braços sobre  Castelo Rodrigo, como quem a protege e abençoa.

 

O resto do caminho levou-me, por fim, ao vale do Côa e ao Douro vinhateiro, onde hei-de regressar vezes sem conta. Tinha ideia de chegar a Foz Côa e tentar, a todo o custo, conseguir uma visita guiada às pinturas rupestres. Mas, assim que pus os olhos naquelas montanhas de um verde intenso, ordenado em fileiras de videiras e oliveiras, numa disposição quase milimetricamente pensada, criando padrões de verde no horizonte, não resisti a deambular por ali. 

A pousada da juventude fica mesmo à saíde de Vila Nova de Foz Côa e as suas traseiras dão para os montes. Perguntei, na recepção, pela praia fluvial mais próxima. Queria mergulhar no Douro. Vesti o bikini o mais rápido que consegui e saltei, sorridente, para o carro em direcção a Pocinho. Admito que a praia fluvial não era tão agradável quanto estava à espera, mas o calor das quatro da tarde e o verde azulado da água convenceram-me a dar um mergulho, apesar do musgo que flutuava à superfície. Um pouco mais à minha esquerda, dois amigos estavam sentados a pescar. Pelo que me fui apercebendo, através das palavras pouco animadas que iam trocando,  a pescaria não estava a correr muito bem. A verdade é que, enquanto estive por ali deitada ao sol, para além do zumbido persistente das moscas moles que voavam à minha volta, ouvi várias vezes peixes a mergulhar nas águas.

 

 

To be continued...

 

Acabei o dia em conversas, um tanto ou quanto filosóficas,  com um amigo, ao jeito de antigas conversas cibernáuticas do passado. Adormeci pensando, seriamente, no conceito de felicidade, de paixão, de ponto fraco e defeito. Sonhei com o Douro.

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